São Paulo – O Ibovespa fechou em queda nesta sexta-feira, interrompendo uma série de quatro sessões positivas, pressionado pela forte desvalorização das ações da Petrobras após a divulgação do balanço do segundo trimestre.
O principal índice da B3 recuou 0,45%, aos 135.913 pontos. Na mínima do dia, tocou 135.659 pontos; na máxima, chegou a 136.761 pontos. Apesar do recuo na sessão, o Ibovespa acumulou ganho semanal de 2,62%.
Queda da Petrobras após balanço
Os papéis ordinários da Petrobras perderam 7,95%, enquanto as ações preferenciais caíram 6,15%. A combinação derrubou em R$ 31,95 bilhões o valor de mercado da estatal, que terminou o pregão estimada em R$ 410,24 bilhões.
Segundo o Bradesco BBI, o resultado financeiro entre abril e junho foi considerado sólido, mas o corte no volume de dividendos – limitado a R$ 8,7 bilhões – decepcionou. O banco reduziu o preço-alvo para as ações preferenciais de R$ 53 para R$ 40, mantendo recomendação de compra.
Na teleconferência com investidores, o diretor financeiro e de relacionamento com investidores, Fernando Melgarejo, mencionou baixa probabilidade de distribuição de dividendos extraordinários em 2023. A falta de um sinal mais claro de contenção nos investimentos, diante da queda do preço do Brent para a faixa de US$ 65 o barril, reforçou o movimento de venda.
Para o analista João Daronco, da Suno Research, a redução provável dos proventos extraordinários e o nível mais elevado de investimentos podem baixar o dividend yield projetado de 12% para 10% no ano.
Fatores políticos elevam cautela
No período da tarde, notícias de que o ex-presidente Jair Bolsonaro não deverá apoiar a eventual candidatura do governador paulista Tarcísio de Freitas à sucessão presidencial ajudaram a ampliar o prêmio de risco nos ativos domésticos, contribuindo para a deterioração do humor na bolsa.
Blue chips limitam perdas
Algumas ações de grande peso no índice atenuaram a queda. A Vale ON avançou 2,37%, apoiada pela recuperação dos preços do minério de ferro. As units do BTG Pactual subiram 1,17%, e Bradesco PN ganhou 1,08%.
Imagem: Pixabay via valor.globo.com
Braskem PNA liderou as altas, com avanço de 4,41%. A companhia e a Unipar confirmaram a assinatura de acordo de confidencialidade para avaliar possível operação, sem definição de ativos ou estrutura de negociação até o momento.
Pressão sobre small caps e varejo
O índice Small Caps cedeu 1,07%, desempenho pior que o do Ibovespa, refletindo maior venda em ações ligadas ao mercado interno. Entre as varejistas, Lojas Renner ON caiu 7,26% e Azzas 2154 recuou 7,04%.
De acordo com o estrategista Gustavo Cruz, da RB Investimentos, embora o resultado operacional da Lojas Renner tenha sido positivo, a carteira da Realize, braço financeiro do grupo, registrou inadimplência de 28% em atrasos acima de 90 dias. Além disso, 64% das dívidas do conglomerado vencem em junho de 2026, o que aumenta a percepção de risco.
Fluxo estrangeiro na B3
Dados do Itaú BBA indicam que investidores estrangeiros retiraram R$ 6,4 bilhões do segmento secundário da bolsa em julho, mas destinaram R$ 340 milhões ao setor de consumo cíclico e R$ 320 milhões a petróleo e gás. Em agosto, o saldo parcial está negativo em R$ 709,7 milhões, enquanto no acumulado de 2023 segue positivo em R$ 19 bilhões.
Volume e mercados externos
O giro financeiro do Ibovespa somou R$ 19,9 bilhões; o volume total da B3 atingiu R$ 25,4 bilhões. O movimento local destoou de Wall Street, onde os principais índices fecharam em alta: Nasdaq +0,98%, S&P 500 +0,78% e Dow Jones +0,47%.



