O Brasil continua na liderança mundial da produção de café, mas as marcas mais conhecidas nas prateleiras nacionais pertencem, em grande parte, a grupos estrangeiros. Segundo a Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic), quatro companhias controlam 55,6% das vendas internas: 3 Corações, JDE Peets, Melitta e Nestlé.
Quem manda no café vendido aos brasileiros
3 Corações – Líder do segmento, é resultado de uma joint-venture firmada em 2005 entre a brasileira São Miguel Holding e a israelense Strauss, cada uma com 50% de participação. O grupo administra marcas como 3 Corações, Café Brasileiro, Iguaçu e Santa Clara, operando nove fábricas no país.
JDE Peets – Segunda colocada, a holandesa JDE (Jacobs Douwe Egberts) desembarcou no Brasil em 1998. Detém Café Pilão, L’OR, Café do Ponto, Café Pelé e Caboclo, com quatro unidades fabris. Nesta semana, a JDE Peets foi adquirida pela norte-americana Keurig Dr Pepper.
Melitta – Fundada na Alemanha, chegou ao Brasil em 1968 vendendo filtros de papel e, a partir de 1980, passou a comercializar café com marca própria. Hoje mantém quatro fábricas e ocupa a terceira posição no ranking.
Nestlé – Presente no território brasileiro desde 1921, lançou o Nescafé na década de 1950 e lidera o mercado de cápsulas com o Nespresso. Possui uma planta dedicada exclusivamente ao café e figura como a quarta maior força do setor.
Camil – Embora não esteja no grupo das quatro principais, a empresa brasileira entrou nesse mercado em 2021 e já tem participação relevante com as marcas Bom Dia, Seleto e União, produzidas em Varginha (MG).
Por que as estrangeiras avançaram
A Abic aponta que a presença de multinacionais começou a se consolidar a partir dos anos 1990, quando a expansão dos grandes supermercados transformou um mercado antes regional. Companhias como Nestlé e Melitta iniciaram as operações com outros produtos e, gradualmente, incluíram o café no portfólio. Já a holandesa JDE Peets preferiu comprar marcas locais já consolidadas, estratégia repetida pela israelense Strauss ao adquirir a Três Corações em 2000.
Imagem: g1.globo.com
O diretor executivo da Abic, Celírio Inácio, explica que o Brasil atrai essas empresas pela combinação de alta disponibilidade de matéria-prima e grande consumo interno. O país destina cerca de 22 milhões de sacas por ano ao mercado doméstico, volume totalmente composto por grãos nacionais.
Produção 100% brasileira
Mesmo sob controle estrangeiro, o café torrado e moído consumido no Brasil é integralmente produzido com grãos colhidos em território nacional. As indústrias compram a matéria-prima de produtores e cooperativas, selecionando lotes específicos para cada tipo de produto. “É um mercado muito disputado”, resume Celírio Inácio.
Para aprofundar sua compreensão sobre a participação de grandes grupos estrangeiros em setores estratégicos, confira também a seção de Economia do Diário de Finanças, que traz análises atualizadas sobre fusões, aquisições e tendências do mercado.
Em síntese, ainda que o Brasil produza o café que abastece xícaras no país e no exterior, as marcas que chegam ao consumidor final pertencem majoritariamente a multinacionais com forte capacidade de investimento, logística e marketing.
Com informações de g1



