Brasília (DF) – Mais de cem pessoas entre praticantes e simpatizantes de religiões de matriz africana ocuparam, na tarde deste domingo, 7 de setembro de 2025, um trecho da avenida W3 Sul para celebrar a fé dos povos de terreiro e condenar a intolerância religiosa.
Batizado de Caminhos para Exu, o ato foi inspirado na Marcha para Exu, que acontece há três anos em São Paulo e tem sido reproduzida em outras cidades do país. Em Brasília, o percurso se estendeu da Praça das Avós, na 506 Sul, até a Biblioteca Demonstrativa Maria da Conceição Moreira Salles, parceira da iniciativa.
“Estamos vivos e queremos respeito”
Idealizadora do evento, a cantora Kika Ribeiro explicou que o objetivo principal é demonstrar a presença ativa das religiões de matriz africana. “Estamos dizendo não à intolerância para que todos possam exercer sua fé com respeito mútuo”, afirmou. Segundo ela, a boa receptividade pode levar a uma segunda edição em dezembro.
A coordenadora cultural da biblioteca, Marina Mara, destacou que o encontro atraiu não apenas adeptos de candomblé, umbanda, quimbanda e ifá, mas também curiosos impactados pelo som de atabaques, agogôs e cânticos. “Isso é Exu: comunicação, comunhão, prosperidade”, disse, lembrando que o orixá é considerado o mensageiro entre o mundo humano e o divino.
Exposição prorrogada
Para aproveitar o fluxo de visitantes, a biblioteca decidiu manter em cartaz até 15 de setembro a mostra Cartas à Tereza, homenagem a Tereza de Benguela, símbolo da resistência quilombola. “Queríamos que o público da caminhada também conhecesse a exposição”, explicou Kika.
Contra o preconceito
A yalórisá Francys de Óya, do terreiro Kwe Oya Sogy, em Samambaia, participou para reforçar a mensagem de que as religiões afro-brasileiras pregam alegria, saúde e prosperidade. “Viemos mostrar que não somos do mal”, declarou.
Números do censo
Dados do Censo 2022 indicam que praticantes dessas religiões representam 1% da população brasileira, crescimento superior a 300% em relação a 2010. Apesar do avanço, registros da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos apontam que manifestações de matriz africana seguem como principais alvos de intolerância religiosa.
Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br
“Queremos desdemonizar nosso orixá”, resumiu Francys, observando a atmosfera festiva do encontro em Brasília.
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O Caminhos para Exu reforça a importância da liberdade de crença no país e destaca o crescimento das expressões religiosas de matriz africana. Acompanhe nossas atualizações e compartilhe a informação.
Com informações de Agência Brasil



