Merval desaba 12% após derrota de Javier Milei na eleição da Província de Buenos Aires -

Merval desaba 12% após derrota de Javier Milei na eleição da Província de Buenos Aires

São Paulo, 8 de setembro de 2025 – O índice Merval, principal termômetro da Bolsa de Buenos Aires, recuava 12,04% por volta das 11h05 (horário de Brasília), a 1.757.012 pontos, refletindo a derrota do partido do presidente Javier Milei na eleição provincial de Buenos Aires realizada no fim de semana.

Com quase 100% das urnas apuradas, a coalizão peronista-kirchnerista Força Nacional conquistou 41,75% dos votos, enquanto o La Libertad Avanza (LLA), legenda de Milei, alcançou 34,15%. A participação ficou em 63%, cerca de sete pontos percentuais abaixo do pleito de 2021.

Embora o revés fosse amplamente esperado, a diferença maior que a prevista intensificou a cautela dos investidores. A província de Buenos Aires reúne quase 40% do eleitorado argentino e costuma ser um termômetro para a eleição legislativa federal marcada para 26 de outubro. Analistas avaliam que um desempenho semelhante no pleito nacional pode dificultar a aprovação das reformas econômicas defendidas pelo governo no segundo mandato.

No mercado de câmbio, o dólar subia 3,99% frente ao peso argentino no mesmo horário, enquanto o real avançava 3,50% ante a moeda argentina. A combinação de pressão cambial, expectativa de inflação em alta e denúncias de corrupção envolvendo membros do governo, entre eles Karina Milei, irmã do presidente e secretária-geral da Presidência, tem elevado o prêmio de risco político no país.

De acordo com os economistas Diego Pereira e Lucila Barbeito, do J.P. Morgan, a perspectiva de juros reais acima de 30% e dívida pública equivalente a 73,1% do PIB — dados do Fundo Monetário Internacional — pode agravar o quadro fiscal, encarecendo o financiamento do Tesouro e pesando sobre a atividade econômica.

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Imagem: Natacha Pisarenko via valor.globo.com

Em meio a esse cenário, investidores monitoram os próximos passos do governo e a campanha para o Congresso. Caso a correlação de forças vista na província se repita em outubro, o Executivo enfrentará resistência para avançar nas pautas de ajuste e liberalização.

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Com informações de Valor Econômico

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