Brasil mira mercado asiático de miúdos e preocupa EUA, afirma Abiec

O aumento da população e da renda na Ásia colocou o continente no centro da estratégia de exportação da carne bovina brasileira, especialmente de miúdos, segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec). Produtos como língua bovina chegam a valer de US$ 10 a US$ 12 por quilo no Japão, enquanto o Brasil ainda comercializa o item por cerca de US$ 2.

O presidente da Abiec, Roberto Perosa, ressaltou em coletiva nesta terça-feira (9) que essa diferença de preço evidencia o potencial de agregação de valor dos miúdos. “No Japão, a língua fatiada é considerada churrasco gourmet; aqui, o consumo é restrito. É nisso que a indústria brasileira aposta”, declarou.

Temor norte-americano

Perosa afirmou que os Estados Unidos receiam perder espaço na Ásia, pois não conseguem competir em escala com o Brasil. “Eles têm limite de produção, assim como a Austrália. Quando abrimos mercado na Ásia, não há volta”, disse. Para o executivo, a carne magra brasileira é demandada globalmente, mas o futuro do consumo está no continente asiático.

Avanço no Japão

A aproximação diplomática entre Brasil e Japão ganhou força após a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Tóquio, em março. Desde então, uma missão japonesa vistoriou frigoríficos brasileiros e negociações seguem conduzidas pelo Ministério da Agricultura. Perosa acredita que um anúncio sobre a abertura do mercado japonês poderá ocorrer durante a COP30, em novembro, em Belém (PA), quando é esperada a presença do primeiro-ministro japonês.

Indonésia amplia habilitações

Nesta segunda-feira (8), a Indonésia autorizou 17 novos frigoríficos brasileiros, elevando para 38 o total de plantas aptas a exportar. O país também liberou a entrada de carne com osso, miúdos e produtos preparados. De janeiro a 8 de agosto, as vendas para o mercado indonésio somaram 15,4 mil toneladas e US$ 71,6 milhões, alta de 253% em volume e 258,9% em valor em relação ao mesmo período de 2024.

Resultados de 2025 e projeções

Entre janeiro e agosto, o Brasil embarcou 2 milhões de toneladas de carne bovina, crescimento de 20% em comparação com 2024, gerando US$ 10,7 bilhões (+33%). A China manteve a liderança entre os destinos, com 1 milhão de toneladas e receita de US$ 5,4 bilhões.

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Imagem: cnnbrasil.com.br

A Abiec projetava, em dezembro passado, aumento de 12% no volume e de 14% no faturamento das exportações em 2025. Até agosto, porém, o avanço já alcançou 12% em volume e 16% em valor, superando as estimativas. Segundo Perosa, a diversificação geográfica tem compensado o impacto do tarifaço imposto pelos Estados Unidos.

Nos próximos meses, a entidade pretende intensificar as negociações na China para consolidar a presença brasileira no continente.

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Com informações de CNN Brasil

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