Ministro do Turismo deixa governo após pressão partidária. Celso Sabino informou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que deixará o cargo na próxima semana, atendendo ao ultimato do União Brasil, legenda que, ao lado do Progressistas, rompeu com o Executivo federal.
O anúncio ocorreu após uma reunião de mais de uma hora no Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência. Sabino continuará à frente da pasta até o retorno de Lula da Assembleia Geral da ONU, em Nova York, previsto para a próxima semana.
Ministro do Turismo deixa governo após pressão partidária
Encontro no Palácio da Alvorada
Na sexta-feira, Sabino deslocou-se ao Alvorada para detalhar ao presidente o cronograma de transição e os compromissos que ainda conduzirá, entre eles preparativos para a COP30, marcada para novembro de 2025 em Belém (PA). A cúpula climática é considerada prioridade pelo Planalto, e o ministro vinha coordenando ações logísticas e de infraestrutura junto aos governos estadual e municipal.
Ultimato de União Brasil e Progressistas
Em 2 de setembro, União Brasil e Progressistas anunciaram oficialmente a saída da base governista. Na mesma ocasião, exigiram a entrega dos cargos ocupados pelos dois ministros indicados pelas siglas: Celso Sabino (Turismo) e André Fufuca (Esporte). Para reforçar o movimento, o União Brasil deu 24 horas para que todos os nomeados por indicação partidária pedissem exoneração de funções em ministérios e estatais.
Investigação pressiona liderança partidária
A escalada de tensão ganhou força depois da publicação de reportagem que relaciona o presidente do União Brasil, Antonio de Rueda, ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo a matéria, Rueda seria proprietário de ao menos quatro aeronaves operadas por empresa ligada a suspeitos de lavagem de dinheiro para a facção criminosa. O político nega as acusações, mas a divulgação provocou desgaste interno e acelerou a decisão de rompimento com o governo.
O texto jornalístico cita depoimento do piloto Mauro Caputti Mattosinho, prestado à Polícia Federal, detalhando o uso das aeronaves por operadores conhecidos como “Beto Louco” e “Primo”, investigados por movimentar recursos do PCC.
Federação cria maior bancada do Congresso
Em meados de agosto, União Brasil e Progressistas formaram a federação parlamentar União Progressista, que passou a contar com 109 deputados e 15 senadores, tornando-se a maior força no Congresso Nacional. Apesar do tamanho, a sigla apresentou posicionamentos divididos em votações-chave: parte dos parlamentares apoiava projetos do Planalto, enquanto outra ala votava alinhada à oposição.
Um dos principais defensores do distanciamento é o senador Ciro Nogueira (Progressistas-PI), ex-ministro da Casa Civil no governo Jair Bolsonaro. Nogueira classificou como “constrangimento” a permanência da sigla no governo petista.

Imagem: Divulgação
Próximos passos de Celso Sabino
Com a saída confirmada, Sabino pretende concluir agendas regionais ligadas ao turismo interno e entregar relatórios de andamento de projetos estruturais. A substituição caberá a Lula e deverá ser anunciada após avaliação política com a equipe ministerial.
A permanência temporária garante continuidade às tratativas da COP30, evento que mobiliza investimentos em hotelaria, transporte e infraestrutura na região amazônica. Integrantes do governo destacam que o novo titular do Turismo herdará dossiê completo sobre o planejamento da conferência.
O gabinete presidencial não informou, até o momento, nomes cotados para assumir a pasta.
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Com a confirmação da saída de Celso Sabino, o cenário ministerial volta a se redesenhar no primeiro ano do terceiro mandato de Lula. Fique atento às próximas atualizações e acompanhe como essas mudanças podem impactar a agenda de investimentos e o turismo nacional.



