Acnur pede ajuda ao setor privado para compensar a redução no financiamento internacional destinado a refugiados e apátridas, segundo relatório divulgado nesta quarta-feira (3/12). O documento mostra que o orçamento global projetado para 2026 diminuiu, afetando diretamente as operações no Brasil e em outros países.
Em meio à escalada de conflitos e crises humanitárias, cresce a demanda por abrigo, alimentação e proteção a pessoas deslocadas à força. Ao mesmo tempo, os doadores tradicionais cortam recursos, cenário que levou a agência da ONU a intensificar o diálogo com empresas de diversos setores, explica Samantha Federici, diretora de parcerias com o setor privado do Acnur no Brasil.
Acnur pede ajuda ao setor privado diante de queda de verbas
O levantamento da agência mostra retração consistente no volume de aportes multilaterais e bilaterais. Para 2026, a verba prevista é menor do que a autorizada para 2025, ampliando um déficit que já supera bilhões de dólares em programas essenciais de saúde, educação e integração econômica de refugiados.
No Brasil, onde vivem milhares de venezuelanos, haitianos, sírios e afegãos, o impacto pode ser significativo. “Há empresas com alcance global e capacidade de mudar realidades”, destacou Federici ao defender modelos de cooperação que envolvam doações diretas, programas de empregabilidade e investimentos em inovação social.
De acordo com o Acnur, parcerias com o setor privado representam atualmente menos de 15% do total arrecadado no país. A meta é elevar esse índice para 25% até 2026, reduzindo a dependência de fundos governamentais. Entre as propostas em discussão estão incentivos fiscais, selos de reconhecimento e plataformas digitais para facilitar microdoações corporativas.
Especialistas em governança apontam que a contribuição empresarial pode ir além do aporte financeiro, incluindo projetos de capacitação profissional, fornecimento de serviços e engajamento de funcionários em campanhas de voluntariado. Para o Acnur, essa participação ampliada é vital para manter abertos abrigos, oferecer aulas de idioma e garantir documentação civil a quem chega.
Imagem: Divulgação
A agência ressalta que cada dólar investido em programas de integração rende múltiplos benefícios econômicos locais, impulsionando pequenos negócios e fortalecendo comunidades de acolhida. Com o agravamento de emergências em regiões como Oriente Médio e África, a mobilização de novos atores é considerada urgente.
“O setor privado pode ser decisivo para evitar cortes em programas indispensáveis”, concluiu Federici, que seguirá em reuniões com representantes de tecnologia, financeiro, alimentos e logística nas próximas semanas.
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O envolvimento do setor privado é hoje uma das chaves para garantir proteção contínua a milhões de refugiados. Participe, compartilhe esta notícia e acompanhe nossos próximos conteúdos sobre responsabilidade social corporativa.



