Acordo UE-Mercosul é aprovado por embaixadores europeus e inicia a fase decisiva para derrubar tarifas de importação, aumentar a concorrência e, gradualmente, baratear produtos europeus no Brasil.
Negociado por 26 anos, o tratado cria uma zona de livre-comércio que une dois blocos com mais de 720 milhões de consumidores e Produto Interno Bruto combinado de US$ 22,3 trilhões. A expectativa é de que, ao longo dos próximos anos, o consumidor brasileiro encontre preços mais baixos em itens como vinho, azeite e chocolate.
Acordo UE-Mercosul reduzirá tarifas e preços ao brasileiro
A aprovação ocorreu após a maioria dos embaixadores dos 27 países da União Europeia endossar o texto. Ainda faltam os votos do Parlamento Europeu e dos congressos de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, mas a etapa diplomática sinaliza que o pacto avançou para o trecho final do processo legislativo.
Principais pontos do tratado
• Criação de zona de livre-comércio entre União Europeia e Mercosul.
• Redução ou eliminação gradual de tarifas para bens agrícolas, industriais e de serviços.
• Períodos de transição e cotas de importação para alguns produtos sensíveis.
• Ampliação do acesso do agronegócio sul-americano ao mercado europeu.
• Abertura do mercado latino-americano para manufaturados europeus.
Produtos que terão tarifas zeradas
O acordo lista itens de alto consumo no Brasil que passarão por corte tarifário escalonado. Entre eles:
• Azeite de oliva – tarifa cai de 10% para 0%.
• Vinho – alíquota recua de 35% para 0%.
• Outras bebidas (exceto vinho) – impostas de até 35% serão eliminadas.
• Chocolate – imposto de 20% será zerado.
• Queijo – tarifa de 28% deixará de ser cobrada para um volume de até 30 mil toneladas.
• Leite em pó – mesma alíquota de 28% cai para 0% dentro de cota de 10 mil toneladas.
• Fórmula infantil – tarifa de 18% vai a 0% em cota de 5 mil toneladas.
Quando o consumidor sentirá a diferença
Especialistas explicam que a queda de preços não será imediata. A aplicação dos novos impostos seguirá calendários de transição que podem chegar a vários anos. Além disso, fatores como câmbio, frete internacional e margem dos importadores continuam a influenciar o valor final nas prateleiras.
Os itens com cotas, caso do queijo e do leite em pó, terão redução de tarifas apenas até o limite definido. Depois disso, voltam a pagar imposto cheio até nova remessa no exercício seguinte.
Impactos econômicos além do supermercado
O Ministério da Indústria aponta que a entrada de produtos europeus deve aumentar a concorrência e estimular a modernização da produção nacional. Ao mesmo tempo, o agronegócio sul-americano ganha acesso ampliado ao maior mercado consumidor do planeta, com expectativa de elevar exportações de soja, carne e açúcar.
Imagem: Divulgação
Analistas veem também potencial para integrar o Brasil a cadeias globais de valor, melhorar previsibilidade regulatória e atrair novos investimentos. No entanto, alertam para a necessidade de políticas de adaptação para setores mais expostos à competição externa.
Próximos passos legislativos
Para entrar em vigor na totalidade, o acordo UE-Mercosul precisa ser ratificado pelo Parlamento Europeu e por cada país do Mercosul. Parlamentares europeus já marcaram sessões de debate para o segundo semestre, enquanto congressos sul-americanos aguardam o texto definitivo para votação.
Até lá, governos devem publicar cronogramas detalhados de redução tarifária, condições sanitárias e regras de origem, permitindo que empresas planejem logística e precificação.
Em síntese, o acordo UE-Mercosul representa um marco histórico que tende a influenciar preços, competitividade industrial e perfil das exportações brasileiras na próxima década.
Para acompanhar outras mudanças na economia que podem afetar seu bolso, confira também nosso artigo sobre a projeção do PIB brasileiro em 2025 disponível em diariodefinancas.com.
O tratado ainda passa por etapas legislativas, mas sua aprovação inicial reforça a perspectiva de um mercado mais aberto. Fique atento às atualizações e compartilhe esta notícia para que mais pessoas entendam como as futuras reduções tarifárias poderão trazer produtos europeus a preços mais competitivos.



