Ibovespa recua 0,13% em dia de cautela com Fed sob pressão -

Ibovespa recua 0,13% em dia de cautela com Fed sob pressão

Ibovespa fechou esta segunda-feira em baixa de 0,13%, aos 163.150 pontos, refletindo a cautela dos investidores diante das ameaças do governo de Donald Trump de abrir investigação criminal contra o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell.

Durante o pregão, o principal índice da B3 oscilou entre a mínima de 162.277 pontos e a máxima de 163.493 pontos, em sessão de menor liquidez — o volume financeiro somou R$ 12,6 bilhões no Ibovespa e R$ 18,0 bilhões no total do mercado.

Ibovespa recua 0,13% em dia de cautela com Fed sob pressão

Pressão política sobre o Fed aumenta aversão ao risco

O clima ficou mais tenso depois que a Casa Branca sinalizou a possibilidade de acusar Powell por supostas declarações ao Congresso relativas a um projeto de reforma de edifícios do banco central norte-americano. Para analistas, a iniciativa reforça a percepção de interferência política na instituição e alimenta dúvidas sobre a independência da política monetária dos Estados Unidos.

Blue chips destoam e contêm perdas do índice

No universo das ações de maior peso, a maioria recuou, com destaque negativo para as units do BTG Pactual, que cederam 1,19%. Petrobras caminhou na contramão: os papéis ON avançaram 0,16% e as PN subiram 0,20%. Vale ON encerrou estável, com leve alta de 0,03%.

Entre as altas do dia, Assaí figurou entre as principais, ao ganhar 4,55%. A rede atacadista informou que encerrou 2025 com alavancagem (dívida líquida/Ebitda) de 2,56 vezes, marginalmente melhor que a meta de 2,6 vezes.

Pareceres de gestoras e bancos

Análise da Ashmore Capital ressalta que o arrefecimento dos riscos tarifários nos EUA, a força do impulso desinflacionário vindo da China e os ganhos de produtividade associados à inteligência artificial tendem a manter a inflação global contida. Na visão da casa, esse cenário abriria espaço para que o Fed e outros bancos centrais prolonguem o ciclo de flexibilização monetária em 2026.

Na mesma linha, o Bank of America elevou sua recomendação para ações brasileiras de “marketweight” para “overweight”, citando a forte correlação entre o mercado doméstico e a expectativa de juros mais baixos nos emergentes. O portfólio sugerido pelo banco inclui Ânima Educação, Raia Drogasil, Assaí, JBS, Petrobras, Bradesco, Itaú, BTG Pactual, B3, Rede D’Or, Hypera, Localiza, Ecorodovias, Vale, Axia, Sabesp e Copel.

Wall Street fecha em alta apesar das tensões

Nos Estados Unidos, os principais índices acionários resistiram às notícias sobre Powell e terminaram positivos: Nasdaq +0,26%, Dow Jones +0,17% e S&P 500 +0,16%. Mesmo assim, gestores alertam que qualquer escalada na disputa entre Trump e o Fed pode aumentar a volatilidade global.

Perspectivas

Com projeção de cortes mais profundos de juros a partir de 2026, casas de investimento veem espaço para valorização seletiva de ações brasileiras, sobretudo em setores sensíveis ao custo do capital. Ainda assim, a trajetória dependerá do comportamento dos rendimentos dos Treasuries e do desenrolar da pressão política sobre a autoridade monetária norte-americana.

Em resumo, o pregão de hoje expôs o efeito dominó que a incerteza externa exerce sobre o mercado local. Enquanto a independência do Fed permanece em debate, investidores monitoram tanto o noticiário político em Washington quanto os fundamentos corporativos brasileiros.

Para acompanhar outras análises de mercado e entender como as decisões de política econômica impactam seus investimentos, visite a seção de Economia do Diário de Finanças.

O Ibovespa voltou a oscilar diante de fatores externos, mas especialistas apontam que oportunidades continuam em setores bem posicionados. Mantenha-se informado e avalie sua carteira com base nos dados mais recentes.

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