Alemanha destina 1 bilhão de euros ao Fundo de Florestas Tropicais Para Sempre (TFFF), iniciativa anunciada nesta quinta-feira (data conforme programação oficial) na COP30, em Belém, e que reforça o financiamento internacional para a preservação das florestas.
O compromisso foi divulgado pela ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, ao lado de representantes alemães, após um dia de reuniões do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com delegações da União Europeia, países árabes, africanos, cientistas e organizações da sociedade civil.
Alemanha destina 1 bilhão de euros ao Fundo de Florestas
O novo aporte soma-se a promessas já feitas ao TFFF: Brasil (US$ 1 bilhão), Noruega (US$ 3 bilhões), Indonésia (US$ 1 bilhão) e França (US$ 500 milhões). No câmbio atual, a contribuição alemã equivale a aproximadamente R$ 6,1 bilhões.
Lula evita pressão sobre combustíveis fósseis
A expectativa era de que a presença do presidente ajudasse a destravar o debate sobre a inclusão, no rascunho do documento final, do “mapa do caminho” para a redução gradual dos combustíveis fósseis. No pronunciamento, porém, Lula optou por não pressionar países a adotar a proposta, preferindo um discurso conciliador em defesa do multilateralismo.
Ele rebateu indiretamente críticas do chanceler da Alemanha, Friderich Merz, sobre a escolha de Belém como sede da COP30. Segundo o presidente, “aceitar Belém foi um desafio e uma ousadia”, mas o resultado mostra que “o povo participou mais”, citando a presença de 3,5 mil indígenas no evento.
Segurança do evento também entra em pauta
Lula tocou no tema da segurança após a ONU criticar a tentativa de invasão da Blue Zone, área onde ocorrem as decisões oficiais. O presidente mencionou eventos anteriores com “arame farpado e tanques”, afirmando que “se os líderes estão protegidos é porque não estão fazendo a coisa certa”.
Financiamento climático e matriz energética brasileira
Repetindo pontos da Cúpula dos Líderes (6 e 7 de novembro), Lula defendeu que países desenvolvidos financiem a transição energética e a adaptação das nações em desenvolvimento. Ele também sugeriu destinar parte dos lucros de petrolíferas e mineradoras para esse fim.
Ao citar a matriz energética brasileira – 87 % da eletricidade proveniente de fontes limpas, principalmente hidrelétricas – o presidente lembrou que o país “é o que mais utiliza etanol na gasolina” e reiterou a necessidade de cooperação internacional: “Os países ricos precisam ajudar os países pobres.”
Contribuição alemã fortalece o TFFF
O aporte de 1 bilhão de euros coloca a Alemanha entre os principais financiadores do Fundo de Florestas Tropicais Para Sempre, mecanismo que busca garantir recursos de longo prazo para proteger biomas vitais, como a Amazônia, nações do Sudeste Asiático e a Bacia do Congo.

Imagem: Divulgação
De acordo com Marina Silva, o valor deverá ser desembolsado em etapas, condicionado a metas de preservação e redução de desmatamento. A ministra destacou que a adesão de novos doadores é fundamental para alcançar o objetivo inicial de captar 20 bilhões de dólares até 2030.
Próximos passos na COP30
Negociadores brasileiros permanecem engajados na redação do texto final da conferência, que ainda precisa equilibrar interesses de países exportadores de petróleo, nações em desenvolvimento vulneráveis às mudanças climáticas e blocos econômicos como a União Europeia.
Em meio às discussões, o aporte alemão é visto como gesto político relevante, sobretudo após as críticas de Friderich Merz. Autoridades brasileiras afirmam que a contribuição demonstra confiança na capacidade do país de liderar iniciativas de preservação ambiental.
Com o anúncio, o Fundo de Florestas Tropicais Para Sempre alcança cerca de 6,5 bilhões de dólares em compromissos, aproximando-se da metade da meta de financiamento prevista para a próxima década.
Para saber como investimentos internacionais podem impulsionar projetos sustentáveis e influenciar indicadores financeiros, confira nosso especial em Economia: o impacto financeiro das metas climáticas.
O reforço de 1 bilhão de euros da Alemanha marca um avanço significativo na captação de recursos para proteger florestas tropicais. Continue acompanhando nossa cobertura da COP30 e veja como as decisões em Belém podem influenciar políticas ambientais e econômicas nos próximos anos.



