Alt5 Sigma, fintech cripto sediada em Las Vegas, dispensou a recém-contratada Victor Mokuolu e nomeou a L J Soldinger Associates como nova responsável pelos seus balanços, marcando a terceira mudança de auditor em menos de dois meses.
A decisão foi comunicada em documento entregue à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC) nesta segunda-feira (29), apenas 19 dias depois da última contratação. O movimento reforça a instabilidade de uma empresa que, até agosto, era praticamente desconhecida do mercado e agora tenta se consolidar como detentora dos tokens WLFI, criados pela World Liberty Financial, negócio cofundado por membros da família do ex-presidente Donald Trump.
Alt5 Sigma troca auditoria e amplia sinais de turbulência
De acordo com o arquivo regulatório, a Alt5 Sigma afirmou não haver “divergências ou desacordos” com a Victor Mokuolu, sediada em Houston. Contudo, reportagem do Financial Times indicou que a licença da firma havia expirado em agosto, o que poderia desqualificá-la para auditar companhias de capital aberto. Registros contábeis texanos mostram que a autorização do fundador, Victor Mokuolu, permanece válida, mas o profissional preferiu não comentar o caso.
Terceira mudança em dois meses
Desde 2023, a auditoria de referência da Alt5 era a Hudgens. Em novembro, o escritório protocolou renúncia alegando aposentadoria do único sócio. Já em documento posterior, William Hudgens declarou não estar se aposentando, e sim deixando o segmento de auditoria de companhias listadas. Segundo ele, a fintech fora informada dessa decisão em junho, mas teria tentado atribuir atrasos na divulgação de resultados trimestrais ao trabalho da firma.
No começo de dezembro, Hudgens enviou e-mail à empresa afirmando que se recusaria a “manter qualquer contato” e que reportaria “imprecisões” à SEC. Semanas depois, a Alt5 recorreu à Victor Mokuolu, destituída no dia de Natal e agora substituída pela L J Soldinger Associates, de Deer Park, Illinois.
Histórico de reviravoltas
A Alt5 ganhou notoriedade nacional em 29 de agosto, quando firmou acordo de US$ 1,5 bilhão para comprar os tokens digitais WLFI. A transação colocou Eric Trump como observador do conselho, posição que dá direito a participar de reuniões sem voto, e nomeou Zach Witkoff, também cofundador da World Liberty Financial, como presidente do board.
O anúncio coincidiu com outras revelações delicadas. No mesmo mês, a companhia admitiu que uma subsidiária fora considerada culpada por lavagem de dinheiro em Ruanda. Pouco depois, em novembro, demitiu membros-chave de sua liderança, incluindo o diretor financeiro interino Jonathan Hugh e o diretor de operações Ron Pitters.

Imagem: Gab Jes
Impactos no cronograma financeiro
Em meio às substituições de auditoria, a Alt5 perdeu o prazo regulamentar para entregar o relatório financeiro do terceiro trimestre. A empresa atribuiu o atraso a “complicações de pontualidade e capacidade de resposta” dos auditores, mas não detalhou quando pretende regularizar a situação.
Por ora, a fintech não respondeu às solicitações de comentário enviadas pela imprensa. Já a Victor Mokuolu confirmou sua saída em carta anexada ao processo na SEC, afirmando não ter objeções à declaração oficial da empresa.
Com a chegada da L J Soldinger Associates, investidores e reguladores acompanham se a Alt5 conseguirá estabilizar suas demonstrações contábeis e avançar no ambicioso plano de se tornar grande detentora dos tokens associados à família Trump.
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Em resumo, a terceira troca de auditoria em curto intervalo intensifica as dúvidas sobre a governança da Alt5 Sigma. Continue acompanhando nossas atualizações e saiba de que forma as mudanças nos bastidores corporativos podem afetar seus investimentos.



