Alta hospitalar de Bolsonaro e retorno à PF em Brasília -

Alta hospitalar de Bolsonaro e retorno à PF em Brasília

Alta hospitalar de Bolsonaro e retorno à PF em Brasília marcam o fim da estadia de sete dias do ex-presidente no Hospital das Forças Armadas, onde ele passou por procedimentos após cirurgia de hérnia inguinal bilateral e crises de soluço.

Jair Bolsonaro (PL) deixou a unidade médica na manhã desta quinta-feira (1º) e foi conduzido de volta à Superintendência da Polícia Federal na capital federal, onde cumpre pena de 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado e outros quatro crimes.

Alta hospitalar de Bolsonaro e retorno à PF em Brasília

A defesa solicitara que o ex-presidente permanecesse internado até a análise definitiva de um pedido de prisão domiciliar humanitária, alegando que o quadro clínico ainda necessitava de acompanhamento constante. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou o requerimento, afirmando que não houve agravamento do estado de saúde e que todas as prescrições podem ser cumpridas no presídio da PF.

Antes da saída do comboio, um carro levando Michelle Bolsonaro deixou o hospital. A ex-primeira-dama acenou para cerca de dez apoiadores vestidos com roupas estampadas com a bandeira do Brasil; um deles empunhava uma bandeira de Israel. O grupo entoou palavras de ordem contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pediu a libertação de Bolsonaro.

Nas redes sociais, Michelle divulgou foto do marido e escreveu: “Você é grande, meu amor! Existe um Brasil do bem que te ama e ora por você. Vamos vencer os dias maus”. Ela também citou frase atribuída a Winston Churchill: “Um líder é aquele que sabe o caminho, anda pelo caminho e mostra o caminho”.

Bolsonaro foi hospitalizado em 24 de dezembro para correção de hérnia inguinal bilateral. Durante a internação, desenvolveu crises persistentes de soluço e passou por bloqueios anestésicos no nervo frênico — primeiro no lado direito, sábado (30), e depois no esquerdo, segunda-feira (1º). O procedimento visa interromper temporariamente o estímulo do nervo que comanda o diafragma, reduzindo contrações involuntárias responsáveis pelos soluços.

Segundo laudos anexados ao processo pela própria equipe médica do ex-presidente, o quadro pós-operatório evoluiu positivamente. Moraes destacou que esses documentos apontam “melhora dos desconfortos relatados” e que o ambiente carcerário dispõe de estrutura para atender às recomendações clínicas, incluindo sessões de fisioterapia e administração de medicamentos.

Ao reiterar a negativa da prisão domiciliar, o ministro citou “reiterados descumprimentos de medidas cautelares” por Bolsonaro, entre eles a destruição dolosa da tornozeleira eletrônica, além de “atos concretos visando à fuga”, como fundamentos para manter o regime fechado.

A hérnia inguinal bilateral ocorre quando segmentos do intestino se projetam por áreas enfraquecidas da parede abdominal na virilha. A cirurgia, feita sob anestesia geral, reposiciona o órgão e reforça a musculatura, diminuindo o risco de dor e complicações futuras. Já o bloqueio do nervo frênico é adotado apenas quando o tratamento medicamentoso contra soluços não surte efeito; a ação anestésica é temporária e não causa paralisia definitiva.

Com a alta, Bolsonaro volta à cela especial montada na sede da PF em Brasília. Lá, ele continuará o pós-operatório sob supervisão da equipe médica do órgão, acompanhada por profissionais indicados pela defesa.

Em nota, os advogados informaram que “estudam as medidas cabíveis” contra a decisão do STF. A Procuradoria-Geral da República não se manifestou até o fechamento desta edição.

A expectativa é de que as próximas movimentações judiciais se concentrem na nova tentativa de converter a pena em prisão domiciliar, agora baseada no acompanhamento de longo prazo do tratamento para os soluços e na recuperação cirúrgica.

Enquanto isso, apoiadores prometem vigílias diárias na porta da superintendência. A Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal reforçou o policiamento na região para evitar tumultos.

Com o retorno ao cárcere, o ex-presidente deverá seguir agenda restrita a consultas médicas programadas, audiências judiciais e visitas autorizadas, conforme regulamento interno da PF.

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Resumo: Bolsonaro recebeu alta hospitalar após sete dias, mas segue preso na PF; Moraes negou prisão domiciliar. Acompanhe atualizações e compartilhe esta notícia.

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