Ata do Copom divulgada nesta terça-feira (3) domina o noticiário financeiro, enquanto analistas avaliam se o documento confirma a aposta majoritária em novo corte de 0,5 ponto percentual na Selic na reunião de março.
Além das diretrizes de política monetária, a agenda doméstica traz a produção industrial de dezembro, divulgada às 9h, com projeção mediana de alta de 0,6% em 2025, segundo 15 instituições consultadas pelo Valor Data. As estimativas variam de crescimento entre 0,5% e 1,5%, refletindo o impacto dos juros elevados sobre a atividade.
Ata do Copom orienta mercados à espera de corte da Selic
No documento, o Banco Central detalha os argumentos por trás da decisão de janeiro, quando os diretores reduziram a taxa básica para 11,75% ao ano. Investidores buscam pistas sobre o ritmo de flexibilização, pois a curva de juros precifica novo ajuste de meio ponto na próxima reunião.
Atenção a indicações para o Banco Central
As discussões em torno de duas vagas abertas na diretoria do BC voltam ao radar. O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello, é citado nos bastidores como possível indicado. Segundo relato de um participante de reunião com o mercado na segunda-feira (2), Mello mencionou que, pela regra de Taylor, a Selic poderia estar “bem mais baixa”, perto de 11,5%. Fontes da Fazenda afirmam que ele defendeu o arcabouço fiscal e a necessidade de harmonização entre políticas fiscal e monetária.
Produção industrial testa fôlego da economia
O resultado de dezembro fechará o desempenho de 2025 da indústria. Caso se confirme a variação positiva de 0,6%, o setor mostrará reação frágil diante do encarecimento do crédito. Analistas observam que um dado mais fraco pode reforçar o argumento por cortes adicionais na Selic, enquanto um número acima do teto das estimativas (1,5%) poderia gerar cautela, principalmente nos vértices curtos da curva de juros.
Cenário externo: relatório JOLTS adiado e metais em alta
Nos Estados Unidos, a divulgação do relatório JOLTS de vagas em aberto foi adiada devido à paralisação parcial do governo. A postergação não gerou estresse, já que o presidente Donald Trump afirmou que assinará imediatamente um acordo de financiamento quando aprovado pelo Congresso.
No mercado de metais, o movimento de “gangorra” voltou a chamar atenção. Às 8h (horário de Brasília), o contrato de ouro para abril subia 6,09%, a US$ 4.904,0 a onça-troy. O índice DXY, que mede a força do dólar ante seis divisas fortes, operava estável, em alta de 0,05%, aos 97,66 pontos. Analistas atribuem a valorização do ouro à busca por proteção, após oscilações causadas pela possível indicação de Kevin Warsh ao comando do Federal Reserve, nome visto como ortodoxo.
Repercussões nos ativos locais
Na segunda-feira (2), os juros de longo prazo fecharam em alta, refletindo a incerteza sobre as futuras indicações para o BC. Caso a ata reforce a manutenção de um ritmo “gradual e parcimonioso” de cortes, economistas avaliam que as taxas podem aliviar. Por outro lado, qualquer sinal de divisão interna sobre a intensidade dos próximos ajustes tende a manter a curva pressionada.

Imagem: Divulgação
Para a Bolsa, um dado industrial positivo somado a uma expectativa clara de cortes na Selic costuma favorecer setores domésticos sensíveis a juros, como varejo e construção. Já exportadoras podem se beneficiar se o avanço dos metais perdurar, impulsionando preços de commodities.
Próximos passos
Os desdobramentos da ata do Copom e da produção industrial darão tom ao mercado ao longo do dia. Operadores monitoram, ainda, discursos de diretores do Federal Reserve e possíveis desenvolvimentos sobre o financiamento temporário do governo norte-americano.
Combinando fatores internos e externos, a sessão promete volatilidade moderada, especialmente em juros e câmbio, enquanto o Ibovespa tende a calibrar apostas em crescimento e dinâmica de preços das commodities.
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Resumo: a ata do Copom, a produção industrial de dezembro e a movimentação dos metais definem a pauta do dia. Fique atento às atualizações e, se deseja receber conteúdos diários sobre finanças, assine nossas notificações.



