Banco Master: Toffoli aponta indícios de novos crimes

Banco Master voltou ao centro das investigações federais após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli afirmar haver “fartos indícios” de que os suspeitos ligados à instituição continuam a cometer delitos financeiros.

A declaração consta da decisão que liberou, em 14 de janeiro de 2026, a nova fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal (PF). Entre as medidas autorizadas estão a prisão preventiva do executivo Fabiano Campos Zettel e o bloqueio de R$ 5,7 bilhões em bens.

Banco Master: Toffoli aponta indícios de novos crimes

Decisão critica atraso da Polícia Federal

Relator do processo, Toffoli destacou que as ordens de prisão e de busca deveriam ter sido cumpridas até 13 de janeiro, mas só ocorreram um dia depois. Para o ministro, o atraso poderia permitir a destruição de provas por “outros envolvidos” e demonstrou “falta de empenho” da PF no cumprimento da determinação judicial.

O magistrado reiterou a gravidade das suspeitas e a necessidade de aprofundar a investigação, que mira o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, e diversos colaboradores.

Prisão no aeroporto e buscas em endereços de empresários

Zettel foi detido de madrugada no Aeroporto Internacional de Guarulhos quando tentava embarcar para os Emirados Árabes Unidos. A partir das 6h, agentes federais deflagraram 42 mandados de busca e apreensão em endereços ligados a outros investigados.

Entre os alvos das buscas estão o empresário Nelson Tanure, gestor de fundos associados ao Master, e o investidor João Carlos Mansur, ex-presidente da gestora Reag Investimentos. Durante a operação, foram confiscados vários carros de alto valor, itens de luxo e mais de R$ 90 mil em espécie.

Suspeitas de desvios bilionários

De acordo com a PF, o grupo é suspeito de desviar recursos do sistema financeiro para ampliação ilícita do patrimônio pessoal. A investigação apura possíveis fraudes de até R$ 17 bilhões em títulos falsificados, usados para a concessão de créditos inexistentes e para mascarar a real situação financeira do banco.

No centro das apurações, Vorcaro figura como o principal beneficiário dos supostos desvios. Toffoli observou que há elementos suficientes para concluir que o banqueiro “permanece praticando delitos”, o que justificaria novas medidas cautelares.

Posicionamento da defesa

Em nota, os advogados de Daniel Vorcaro afirmaram que o dono do Banco Master “tem colaborado com as autoridades” e cumpre “todas as medidas judiciais determinadas, com total transparência”. A defesa assegurou que o empresário está à disposição para novos esclarecimentos e espera “o encerramento célere do inquérito”.

Banco Master: Toffoli aponta indícios de novos crimes - Imagem do artigo original

Imagem: Divulgação

Contexto da Operação Compliance Zero

A primeira etapa da operação ocorreu em novembro de 2025, quando Vorcaro e o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, foram alvos de mandados de busca. Então, suspeitava-se da existência de créditos falsos que poderiam chegar a R$ 17 bilhões.

Em março de 2025, o BRB chegou a anunciar a intenção de comprar o Banco Master por R$ 2 bilhões, mas o Banco Central rejeitou a operação. Em novembro do mesmo ano, a autarquia decretou a liquidação da instituição de Vorcaro, intensificando o escrutínio sobre seus administradores.

Com a nova fase da Compliance Zero, as autoridades buscam rastrear a movimentação de valores e garantir que eventuais ressarcimentos sejam possíveis, caso o Judiciário confirme as fraudes atribuídas aos investigados.

As diligências seguem sob sigilo, e o STF deverá analisar em breve relatórios atualizados da PF sobre o material apreendido, inclusive os dados extraídos de dispositivos eletrônicos confiscados.

O Supremo ainda não definiu prazo para concluir a instrução, mas Toffoli sinalizou que novas ordens podem ser expedidas se surgirem evidências adicionais de ocultação de bens ou destruição de provas.

Para acompanhar outras notícias sobre o mercado financeiro e decisões judiciais que afetam bancos e investidores, visite a seção de Economia do Diário de Finanças.

Resumo: a nova fase da Operação Compliance Zero expõe mais indícios de crimes no Banco Master, com bloqueio bilionário e prisão de executivos. Continue acompanhando o Diário de Finanças para atualizações e análises completas sobre o caso.

Scroll to Top