Bate-boca na Alerj marca votação sobre prisão de Bacellar e expõe divergências na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Na sessão desta segunda-feira (8), o deputado Carlos Minc (PSB) e o aliado de Rodrigo Bacellar, Alexandre Knoploch (PL), trocaram acusações depois que Minc apresentou voto divergente pela manutenção da prisão do presidente da Casa, detido na semana passada pela Polícia Federal.
A discussão começou quando o relator Rodrigo Amorim (União) apresentou projeto de resolução que, se aprovado, determina a soltura de Bacellar. Minc discordou, defendendo que o texto siga a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que manteve o parlamentar preso. A posição do socialista irritou Knoploch, que o acusou de “estar de palhaçada”, provocando tumulto e o corte temporário dos microfones.
Bate-boca na Alerj marca votação sobre prisão de Bacellar
Ao justificar seu posicionamento, Minc afirmou que os elementos apresentados pelo STF indicam “muita gravidade” e que o presidente da Alerj poderia interferir nas investigações caso fosse solto. Ele também concordou com o deputado Luiz Paulo (PSD) sobre a possibilidade de votar o afastamento do cargo em separado.
Knoploch, vice-líder do PL e próximo de Bacellar, recusou-se a se retratar pelas declarações. Diante do impasse, Amorim ordenou que a palavra “palhaçada” fosse retirada da ata, decisão aceita pelo parlamentar do PL. O relator alegou que, embora já tenha endossado a constitucionalidade de temas como legalização da maconha e praia de nudismo, considera fundamental que o projeto de resolução traga a opção de libertar o presidente da Assembleia, caso esse seja o entendimento do plenário.
Fred Pacheco (PMN), vice-presidente da CCJ, alinhou-se a Amorim e Knoploch, sustentando que o texto precisa prever a soltura, sob pena de inviabilizar eventual decisão majoritária dos deputados. Ele evitou comentar o mérito da prisão, alegando que “não é comentarista de decisão judicial”.
O debate na CCJ é etapa decisiva para o futuro de Rodrigo Bacellar. Após a conclusão da análise técnica, o projeto segue ao plenário da Alerj, onde a manutenção ou revogação da prisão será definida por maioria simples. Até o momento, parlamentares do PL, partido do governador Cláudio Castro, já indicaram voto favorável à permanência do deputado na cadeia.
Imagem: Gabriel de Paiva
Terminada a sessão, Minc reiterou confiança no STF e criticou o que chamou de tentativa de “blindagem corporativa”. Já Knoploch manteve o discurso de que o colega faz “politicagem” com um assunto que deveria ser analisado “juridicamente”. A data para apreciação em plenário ainda não foi divulgada.
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