Batista planeja revitalizar petróleo venezuelano, diz agência -

Batista planeja revitalizar petróleo venezuelano, diz agência

Batista petróleo venezuelano ganha novo impulso depois que a família brasileira, proprietária da maior processadora de carnes do mundo, sinalizou disposição para entrar em projetos de óleo cru no país vizinho assim que o ambiente regulatório se estabilizar.

Fontes próximas às negociações relataram que os irmãos Batista acompanham de perto o desempenho do consórcio Petrolera Roraima, responsável por campos estimados em um bilhão de barris e que podem se beneficiar do plano dos Estados Unidos para reerguer a produção local.

Batista planeja revitalizar petróleo venezuelano, diz agência

A movimentação ocorre poucas semanas após a deposição do presidente Nicolás Maduro, em janeiro de 2026, e coincide com sinais da Casa Branca de que empresas estrangeiras poderão voltar a operar na área de energia venezuelana.

Participação indireta abre caminho para novos aportes

A porta de entrada dos Batista no setor é a A&B Investments, liderada por Jorge Silva Cardona, parceiro de negócios do grupo brasileiro que detém 49% de Petrolera Roraima. A estatal PDVSA possui 51%. A concessão, válida por 25 anos, foi outorgada em 2024, quando a produção diária chegou a 32 mil barris, mas caiu após sanções impostas pelos EUA.

A Fluxus, empresa de petróleo da família, avalia integrar o consórcio assim que houver “estabilidade institucional e segurança jurídica”, informou a holding J&F SA em e-mail enviado à imprensa. O conglomerado reforçou que atualmente não possui ativos no país.

Relações políticas facilitam avanço

Joesley Batista, 53 anos, emergiu como interlocutor relevante na transição pós-Maduro. Na semana passada, ele viajou de Washington a Caracas para encontrar a presidente interina Delcy Rodríguez e retornou otimista quanto à abertura a capital estrangeiro nos segmentos de petróleo e gás natural, segundo fonte próxima.

A habilidade do grupo em construir pontes com diferentes governos é vista como trunfo. Em 2025, a Pilgrims Pride, controlada pelos Batista, foi a maior doadora individual do comitê de posse de Donald Trump. Já em 2026, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva delegou a Joesley a missão de negociar com Washington um alívio tarifário.

Contrato bilionário no passado fortaleceu laços

Os vínculos com Caracas remontam a mais de uma década. A JBS assinou, anos atrás, acordo de US$ 2,1 bilhões para fornecer carne e frango a um país que enfrentava escassez aguda de alimentos e hiperinflação. O negócio foi articulado pelo então ministro Diosdado Cabello, hoje responsável pela pasta do Interior.

Potencial de produção e gargalos logísticos

Implantado nos anos 2000, Petrolera Roraima operava upgraders capazes de transformar petróleo pesado em cerca de 90 mil barris diários de óleo leve sintético. Analistas apontam que, com capital novo, a capacidade técnica pode ser recuperada rapidamente, mas alertam para desafios de infraestrutura e falta de peças de reposição após anos de subinvestimento.

Até que o quadro político se torne previsível, perfuradoras americanas e europeias aguardam garantias de proteção a ativos. Nessa lacuna, investidores latino-americanos com histórico de diálogo local, como os Batista, enxergam vantagem competitiva.

Mineração e energia elétrica também no radar

Além do óleo, interlocutores relatam que a J&F estuda ingressar em projetos de mineração e na modernização da rede elétrica venezuelana, setores igualmente afetados por limitações financeiras durante o governo Maduro.

Perspectivas para 2026

O cronograma de apostas do grupo está condicionado à consolidação do governo interino, à eventual convocação de eleições e ao desenho das futuras regras de partilha. Caso Washington confirme flexibilização das sanções, a expectativa é que novas perfuradoras se juntem ao esforço de reativar o que já foi o maior exportador de petróleo da América Latina.

Por ora, a J&F mantém postura cautelosa, mas, segundo pessoas próximas, prepara-se para avançar rapidamente quando sentir segurança. A presença on-site de Joesley, bem como o diálogo frequente com autoridades dos EUA, reforçam a convicção de que os Batista pretendem ser pioneiros na retomada dos investimentos energéticos venezuelanos.

Em resumo, o interesse declarado da família indica que capitais brasileiros podem desempenhar papel relevante na reconstrução do parque petrolífero do país vizinho, enquanto empresas globais ainda avaliam riscos e retorno.

Para acompanhar mais análises sobre o cenário econômico regional, acesse nossa seção de Economia.

Este artigo mostrou como a estratégia dos irmãos Batista pode acelerar a recuperação do petróleo venezuelano. Continue seguindo o Diário de Finanças para receber atualizações e entender de que forma esses movimentos influenciam investimentos e mercados.

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