Bolha de IA preocupa executivos de Wall Street em balanços. A possível formação de uma bolha de IA dominou as teleconferências de resultados dos grandes bancos norte-americanos nesta semana, apesar de um trimestre recorde em fusões e receitas de negociação.
Enquanto os lucros foram turbinados pelo entusiasmo do mercado com a inteligência artificial, nomes de peso como David Solomon, CEO do Goldman Sachs, e Mark Mason, CFO do Citigroup, reforçaram que o ritmo acelerado de investimentos pode não se sustentar.
Bolha de IA preocupa executivos de Wall Street em balanços
Na terça-feira (15), Solomon evocou a lembrança da bolha das pontocom durante a apresentação de resultados do Goldman Sachs. O executivo afirmou que o banco observa “o risco de que o massivo aporte em infraestrutura de IA seja seguido por uma forte divergência, em que algumas empresas prosperem e outras fracassem”.
Comparações com a bolha das pontocom
O paralelo com o final dos anos 1990 voltou a aparecer na fala de John Waldron, diretor de operações do Goldman, em painel realizado em Washington na quarta-feira (16). Ele classificou como “preocupante” a aposta significativa da economia dos Estados Unidos na IA e disse ser “muito cedo” para cravar se há uma bolha, ainda que admita que “pode dar muito certo”.
No Citigroup, Mason destacou que “é difícil olhar para valuations e múltiplos atuais e não enxergar setores inflados e supervalorizados”. Segundo ele, o excesso de otimismo chama atenção, ainda que a instituição explore o uso da IA para aumentar eficiência.
Aplicações práticas e cautela
Ainda assim, os bancos detalharam casos de uso da tecnologia. O Bank of America voltou a citar a assistente virtual Erica como exemplo de atendimento automatizado. No J.P. Morgan, Troy Rohrbaugh, coCEO do banco comercial e de investimentos, relatou que a IA já está sendo aplicada em áreas específicas, mas frisou que “o retorno nem sempre será rápido e fácil” e que “os benefícios mais significativos virão no futuro”.
Sharon Yeshaya, CFO do Morgan Stanley, reforçou a visão de longo prazo: “Estamos apenas arranhando a superfície do que a IA pode fazer”.
Visões divergentes sobre o risco
Em entrevista à Bloomberg TV no início da semana, Roger Altman, fundador da Evercore, discordou parcialmente do tom alarmista. Para ele, a atual onda de investimentos difere da bolha das pontocom porque é liderada por gigantes lucrativas, como Meta Platforms e Amazon.com, e não por um “número incontável de negócios insustentáveis”. Mesmo assim, Altman reconheceu que “os mercados não podem subir ad infinitum”.

Imagem: Envato
Preocupação dos investidores
O ceticismo cresce entre investidores após o forte rali das ações ligadas à IA em 2025. Acordos recentes entre OpenAI e Nvidia foram contestados por analistas que os consideram “circulares”, sustentados por expectativas elevadas para uma tecnologia “em grande parte, não comprovada”.
Apesar das ressalvas, os bancos continuam disputando talentos e alocando capital em data centers, modelos de linguagem e soluções de automação, confiantes de que a adoção será recompensada no médio prazo.
Para Solomon, o desafio é calibrar a linha tênue entre inovação e prudência: “Precisamos garantir que o investimento em IA gere valor sustentável, evitando a euforia que marcou a bolha das pontocom”.
No curto prazo, o debate deve permanecer no centro das próximas teleconferências, à medida que executivos equilibram metas de crescimento com a necessidade de conter riscos de uma possível bolha de IA.
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Em resumo, os grandes bancos celebram resultados robustos, mas veem sinais de alerta na escalada dos investimentos em inteligência artificial. Siga o Diário de Finanças para atualizações e saiba como proteger seus investimentos diante deste cenário em transformação.



