Brasil 2030 desponta como o grande eixo de discussão sobre os desafios que já pressionam o sistema de saúde brasileiro, ressaltados no evento “Brasil 2030: Saúde e Consumo – Tendências, Inovação e Futuro do Setor”, realizado em 20 de janeiro pelo Times Brasil Licenciado Exclusivo CNBC.
Com autoridades públicas e lideranças do mercado reunidas na capital paulista, o encontro abordou como crise climática, envelhecimento populacional e inteligência artificial (IA) vêm redefinindo políticas, práticas assistenciais e modelos de negócio na saúde.
Brasil 2030: crise climática, envelhecimento e IA testam sistema de saúde
A abertura coube ao ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Ele apontou dois obstáculos estruturais: as mudanças climáticas — que ampliam surtos de doenças e podem paralisar hospitais em tragédias ambientais — e o rápido envelhecimento da população, fenômeno que exige mais prevenção, diagnósticos precoces e acesso a medicamentos modernos. Padilha defendeu ainda vacinação em massa, produção local de insumos estratégicos e combate ao negacionismo científico.
Eficiência regulatória na pauta da Anvisa
Em seguida, Leandro Safatle, presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, lembrou que a Anvisa figura entre as três maiores agências reguladoras do mundo e supervisiona de medicamentos a agrotóxicos. O maior entrave hoje é o acúmulo de pedidos de registro, acentuado pela pandemia e por anos de subinvestimento. Para acelerar respostas, a autarquia prevê ampliar em 200% os aportes em IA até 2026, reforçando análises, classificação de riscos e capacidade técnica.
Inovação sob pressão de prazos de aprovação
No painel dedicado à inovação, o executivo Leonardo Bia destacou a importância da semaglutida, princípio ativo do Ozempic, e criticou a demora de 13 anos para registro na Anvisa, fator que — segundo ele — desestimula pesquisa e desenvolvimento no País. Já Breno Monteiro chamou atenção para dados que indicam que um em cada três médicos recém-formados não estaria apto ao exercício profissional, enquanto David Basbaum alertou para a judicialização excessiva, que eleva custos e ameaça a sustentabilidade da saúde suplementar.
Dependência de IFAs acende alerta estratégico
Walker Lahmann, da Eurofarma, relatou que 70% dos medicamentos consumidos no Brasil são produzidos internamente, índice superior ao de Estados Unidos e Europa. Contudo, apenas 5% dos insumos farmacêuticos ativos (IFAs) são fabricados no País, criando vulnerabilidade no abastecimento. Acordos como o entre União Europeia e Mercosul e negociações com a Índia podem atenuar o risco no médio e longo prazo, afirmou.
Do ponto de vista financeiro, Leandro Berbert, sócio da EY Brasil para Health Sciences and Wellness, apontou crescente interesse de fundos de private equity em pesquisas iniciais, impulsionados pela corrida mundial por novas moléculas de GLP-1, o que aproxima ainda mais saúde e finanças.
Imagem: Divulgação
Foco na experiência do paciente e na telemedicina
Lídia Abdalla, CEO do Grupo Sabin, ressaltou que consolidação não deve se limitar a aquisições: a experiência do paciente, alavancada por tecnologia, processos robustos e qualidade assistencial, é o real diferencial competitivo. Pedro Batista, CEO da Horuss AI, frisou que a inteligência artificial amplia precisão diagnóstica, integra dados e sustenta políticas públicas de prevenção.
Encerrando as discussões, Jeane Tsutsui, presidente do Grupo Fleury, avaliou a telemedicina como essencial para expansão do acesso. A executiva explicou que a combinação de consultas remotas — hoje acima de 3 mil por dia — com um banco de 300 milhões de exames anuais intensifica a assertividade diagnóstica e otimiza recursos do sistema.
O evento contou com mediação da jornalista Christiane Pelajo, transmissões ao vivo e entrevista exclusiva com o ministro da Saúde, reforçando a relevância do debate sobre as transformações rumo a 2030.
Para quem acompanha os impactos econômicos dessas transformações, veja outras análises na editoria de Economia do Diário de Finanças.
Esta cobertura revela como clima, demografia e tecnologia se entrelaçam na saúde brasileira. Continue acompanhando nossas publicações para entender os próximos passos rumo a um sistema mais eficiente e sustentável.



