Brasileiro prefere avião e gasta mais no Nordeste, mostra IBGE

Brasileiro prefere avião nas viagens nacionais e concentra o maior desembolso turístico no Nordeste, aponta a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) Turismo 2024, divulgada pelo IBGE.

O levantamento mostra que o avião assumiu a segunda posição entre os meios de transporte mais utilizados, presente em 15% dos deslocamentos, atrás apenas do carro, escolhido em 50% das vezes. Esse movimento reflete o aumento de renda da população, que busca reduzir o tempo de viagem, segundo o analista do instituto William Kratochwill.

Brasileiro prefere avião e gasta mais no Nordeste, mostra IBGE

Enquanto o modal aéreo ganha força, a hospedagem na casa de parentes ou amigos permanece líder na preferência: 40% dos viajantes adotaram essa alternativa em 2024. Hotéis e resorts aparecem em seguida, com 18%. A economia na estada foi decisiva para a bióloga Mariana Levi, que se hospedou na casa de um amigo em Salvador para compensar o valor das passagens: “Não ter custo com acomodação barateou muito a nossa viagem”, afirma.

A busca por férias na região Nordeste eleva o tíquete médio. O gasto por viagem nessa área alcançou cerca de R$ 2.500, superando a média nacional de R$ 1.800. Entre os estados, Alagoas lidera o ranking de despesas, com R$ 3.800 por visita, seguida por Ceará (R$ 3.000) e Bahia (R$ 2.700).

Para Ana Carolina Medeiros, presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens (ABAV), a infraestrutura limitada encarece o turismo nordestino. “Muitos destinos dependem de insumos trazidos da capital. Em Alagoas, por exemplo, pousadas de luxo recorrem a geradores e chefs renomados, o que eleva os custos”, pontua.

No total, os brasileiros gastaram R$ 22,8 bilhões em viagens domésticas em 2024, alta de 12% sobre o ano anterior. Foram 20,6 milhões de deslocamentos, dos quais 86% por motivos pessoais. A maioria procurou sol e praia, categoria na qual o Nordeste se destaca.

Apesar do avanço, 80% da população não viajou no ano passado. Quatro a cada dez entrevistados mencionaram falta de dinheiro, enquanto tempo escasso e ausência de necessidade também foram lembrados.

O economista André Perfeito avalia que a tendência positiva deve continuar em 2025, impulsionada pela massa salarial em alta. “Se a renda cresce acima da inflação e o consumidor se sente seguro no emprego, a parcela destinada ao turismo tende a subir”, explica.

Dados detalhados da pesquisa:

  • Modal de transporte: carro (50%), avião (15%), ônibus (demais proporções).
  • Hospedagem: casa de familiares/amigos (40%), hotéis e resorts (18%).
  • Gasto médio por viagem no Brasil: R$ 1.800.
  • Gasto médio no Nordeste: R$ 2.500.
  • Estados com maiores despesas: Alagoas (R$ 3.800), Ceará (R$ 3.000), Bahia (R$ 2.700).
  • Total desembolsado em turismo interno: R$ 22,8 bilhões.
  • Volume de viagens: 20,6 milhões em 2024.

Com a renda em ascensão e o modal aéreo mais acessível, o turista brasileiro mostra disposição para percorrer longas distâncias em menos tempo, ainda que recorra a soluções econômicas de hospedagem para equilibrar o orçamento.

Para continuar acompanhando como a renda influencia o comportamento do consumidor em diferentes setores, leia também o conteúdo especial disponível em nosso hub de Economia.

Em resumo, a pesquisa do IBGE revela que o avião ganha espaço nas preferências, a estadia na casa de conhecidos permanece como principal forma de economizar e o Nordeste lidera nos gastos. Acompanhe nossas atualizações e descubra novas oportunidades de planejar a próxima viagem com inteligência financeira.

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