Bullard confirma conversa com Tesouro sobre possível indicação à presidência do Fed -

Bullard confirma conversa com Tesouro sobre possível indicação à presidência do Fed

James Bullard, ex-presidente do Federal Reserve (Fed) de St. Louis, afirmou ter sido consultado pelo secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, a respeito do processo para escolher o próximo presidente do banco central norte-americano. Segundo ele, a conversa ocorreu na semana passada e abordou as etapas iniciais da busca por um sucessor para Jerome Powell, cujo mandato como chair do Fed vai até maio de 2026.

Bullard relatou que, durante o contato, colocou-se à disposição das autoridades do governo. “Disse que ficaria feliz em proceder da forma que eles quiserem”, afirmou em entrevista à emissora CNBC. O diálogo insere Bullard na lista de nomes avaliados pela equipe econômica da Casa Branca, coordenada por Bessent, para ocupar a presidência da instituição monetária.

A iniciativa do Tesouro atende ao desejo do ex-presidente Donald Trump, crítico frequente da condução de Powell. O republicano defende um corte mais agressivo na taxa básica dos Estados Unidos e quer um presidente do Fed alinhado a essa visão. Embora o atual mandato de Powell se estenda por mais dois anos, Trump pretende preparar o terreno para substituí-lo assim que possível, caso retorne ao poder.

Bessent elabora uma relação de potenciais indicados. Além de Bullard, o grupo inclui Kevin Hassett, diretor do Conselho Econômico Nacional; Kevin Warsh, ex-diretor do Fed; Christopher Waller, atual diretor da autoridade monetária; e Marc Sumerlin, que atuou como assessor econômico do ex-presidente George W. Bush. A composição ainda pode ser revista, mas, até o momento, esses são os principais cotados.

Ao comentar sua eventual participação, Bullard destacou condições que, em sua avaliação, precisam ser asseguradas para que qualquer candidato aceite o posto. Entre elas, ele mencionou a preservação do valor do dólar, a busca por uma inflação baixa e estável e o respeito à independência prevista na Lei do Federal Reserve. “Temos de preparar isso para o sucesso, não para o fracasso. Se quiser que alguém assuma e fracasse, escolha outra pessoa”, declarou.

O ex-presidente regional é conhecido por defender posições diferenciadas em momentos distintos do ciclo econômico. Na mesma entrevista, reiterou apoio a uma política monetária mais acomodatícia diante do cenário atual. Segundo Bullard, as tarifas impostas nos últimos anos não devem gerar pressão relevante nos preços, mas já demonstram impacto negativo sobre a atividade. Ele projeta que o Fed reduza os juros em, aproximadamente, um ponto percentual entre setembro deste ano e meados do próximo.

A disposição de Bullard em aceitar novos cortes contrasta com a postura que adotou em 2022 e 2023, quando pressionou por aumentos mais firmes para conter a escalada inflacionária. Questionado sobre a aparente mudança, o economista respondeu que não é “dogmático” e que ajusta suas recomendações às condições vigentes. “Se a inflação sobe muito, defendo juros mais altos; se a economia esfria e os preços perdem fôlego, passa a fazer sentido reduzir as taxas”, explicou.

As sinalizações ocorrem num momento de crescente debate sobre a autonomia do banco central dos Estados Unidos. Críticos de uma troca antecipada no comando do Fed alertam para o risco de politização da autoridade monetária e para eventuais impactos sobre a credibilidade das metas de inflação. Por outro lado, aliados de Trump alegam que a política de juros precisa responder mais rapidamente a mudanças na atividade econômica.

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Imagem: valor.globo.com

Até aqui, a Casa Branca não confirmou o cronograma para a escolha do novo chair, tampouco indicou quando enviará um nome ao Senado, responsável por sabatinar e aprovar o futuro presidente do Fed. Nos bastidores, entretanto, integrantes do governo avaliam que uma definição preliminar ainda este ano permitiria transição mais suave caso haja alteração antes de 2026.

Jerome Powell, no comando do Fed desde 2018, conduziu a instituição por períodos de forte estímulo monetário na pandemia de covid-19 e depois elevou os juros de forma acelerada para controlar a inflação. Seu segundo mandato, iniciado em 2022, termina oficialmente em maio de 2026. Até lá, permanece no cargo a menos que um sucessor seja indicado e aprovado pelo Senado.

A possível inclusão de Bullard entre os candidatos reforça a percepção de que o perfil técnico continuará sendo requisito, mesmo diante de pressões políticas. Economista com mais de três décadas de atuação no Fed, ele presidiu a regional de St. Louis de 2008 a 2023, período marcado tanto por estímulos extraordinários quanto por ciclos de aperto monetário. Durante esse tempo, integrou o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) em caráter permanente ou rotativo, acumulando experiência na formulação de políticas de juros.

Além da trajetória no banco central, Bullard é pesquisador associado a diversas universidades norte-americanas e autor de estudos sobre taxa neutra de juros, metas de inflação e funcionamento dos mercados financeiros. Esse histórico, segundo analistas de mercado, pode facilitar sua aprovação no Senado, caso venha a ser efetivamente indicado.

Embora o processo permaneça em estágio inicial, a simples consulta ao ex-dirigente regional já repercute entre investidores. A expectativa de juros mais baixos ao longo de 12 meses, defendida por Bullard, influencia projeções para os títulos do Tesouro e para o comportamento do dólar. Operadores acompanham atentamente novos sinais de Washington para calibrar apostas sobre o futuro da política monetária norte-americana.

Até o momento, não há confirmação oficial de que Bullard ou qualquer outro nome da lista tenha recebido convite formal. O secretário do Tesouro segue compilando informações e avaliando a receptividade de cada candidato às diretrizes defendidas pelo governo. Nos próximos meses, encontros adicionais deverão ocorrer antes de qualquer decisão.

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