São Paulo — 19 ago 2025. A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) encaminhou, na segunda-feira (18), suas observações formais à investigação aberta pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) com base na Seção 301, que apura supostas “práticas desleais” adotadas pelo Brasil.
No documento, a entidade sustenta que qualquer medida punitiva precisa considerar o saldo comercial favorável aos norte-americanos. De acordo com a Amcham, as exportações dos Estados Unidos para o Brasil geraram superávit acumulado superior a US$ 250 bilhões nos últimos dez anos.
Tarifas e acordos
A câmara ressalta que a tarifa média aplicada pelo Brasil aos produtos norte-americanos é de 2,7%, índice inferior à média global de 5,2%. Aponta ainda que acordos de escopo parcial firmados com Índia e México seguem as regras multilaterais, têm alcance limitado e “impacto marginal” no comércio bilateral.
Temas em discussão
Entre os pontos analisados pela investigação estão o sistema de pagamentos instantâneos Pix, regulação de plataformas digitais, proteção de propriedade intelectual, comércio de etanol e questões ambientais. Sobre o marco regulatório digital, a Amcham argumenta que a pauta ainda tramita no Congresso brasileiro, o que abre espaço para ajustes por meio de cooperação.
Meio ambiente
Em relação ao desmatamento, a entidade afirma que o Brasil registra queda anual dos índices e defende que resultados mais robustos dependem de “cooperação internacional, marcos legais sólidos e financiamento adequado”. Para a Amcham, barreiras comerciais não contribuirão para conter o corte ilegal de madeira e podem afetar metas comuns de sustentabilidade.
Próximos passos
Representantes dos dois governos têm reunião agendada para 3 de setembro, em Washington, com o objetivo de discutir a investigação. No último dia do prazo, o governo brasileiro enviou resposta oficial ao USTR rechaçando a existência de práticas desleais e pedindo “diálogo construtivo”. Caso os argumentos não sejam aceitos, a taxa adicional de 50% sobre produtos brasileiros pode ser ampliada.

Imagem: Alan Santos via cbn.globo.com
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, solicitou que os Estados Unidos reconsiderem a abertura do processo, reiterando que leis e políticas brasileiras voltadas ao comércio digital, à segurança cibernética e à proteção do consumidor seguem padrões internacionais.
Com o posicionamento da Amcham e a nota formal de Brasília, as atenções se voltam para o encontro de setembro, que deverá definir se haverá escalada tarifária ou avanço em direção a um acordo bilateral.
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Com informações de CBN



