Câmara aprova em primeiro turno PEC que restringe denúncias criminais contra congressistas

O plenário da Câmara dos Deputados aprovou na noite desta terça-feira (16) o texto-base da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 3/2021, que estabelece novas barreiras para abertura de ações penais e prisões contra deputados e senadores.

Quórum expressivo

A matéria obteve 353 votos favoráveis, superando os 308 necessários para alterações constitucionais. Outros 134 parlamentares foram contrários e houve uma abstenção. Ainda nesta noite, os deputados analisam destaques que podem modificar trechos específicos e, em seguida, a proposta precisará ser votada em segundo turno.

Principais pontos

A PEC determina que qualquer processo criminal contra congressista dependa de autorização prévia, em votação secreta, da maioria absoluta da respectiva Casa – 257 votos na Câmara ou 41 no Senado. O texto também:

  • Garante foro privilegiado no Supremo Tribunal Federal (STF) aos presidentes de partidos com representação no Congresso;
  • Autoriza as Casas Legislativas a sustar prisões de parlamentares, por maioria simples, em até 24 horas, quando o flagrante envolver crime inafiançável;
  • Prevê prazo máximo de 90 dias para que a Câmara ou o Senado decidam sobre pedidos de processo encaminhados pelo STF.

Argumentos a favor

Relator da matéria, o deputado Claudio Cajado (PP-BA) afirmou que a proposta “restaura prerrogativas previstas na Constituição de 1988” e protege parlamentares de perseguição política. Segundo ele, o voto secreto é necessário para garantir “liberdade de consciência” aos colegas.

Críticas

Parlamentares contrários, principalmente da bancada do PT, sustentam que a medida amplia a impunidade. A deputada Érika Kokay (PT-DF) classificou como “absurdo” o fato de os próprios congressistas decidirem se podem ou não responder a processos. O líder do PT, Lindbergh Farias (RJ), disse que a PEC “não atende aos interesses do povo brasileiro”.

Contexto político

Popularmente chamada de “PEC da Blindagem”, a proposta ganhou força após a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro e críticas de aliados do Partido Liberal (PL) a decisões do STF envolvendo parlamentares acusados de participar de atos antidemocráticos. Lideranças do PL afirmam que o objetivo é retomar o texto original da Carta de 1988.

Próximos passos

Se confirmada em segundo turno na Câmara, a PEC segue para análise do Senado. Para virar emenda constitucional, precisa novamente de três quintos dos votos em dois turnos na outra Casa.

Câmara aprova em primeiro turno PEC que restringe denúncias criminais contra congressistas - Imagem do artigo original

Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br

A votação desta terça apresenta mais um capítulo do embate entre Legislativo e Judiciário sobre o alcance das prerrogativas parlamentares. Novas deliberações podem ocorrer ainda hoje.

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Resumo: A Câmara aprovou por ampla maioria, em primeiro turno, a PEC que condiciona ações penais contra congressistas à autorização do Legislativo e estende foro ao comando partidário. O texto ainda precisa passar por nova votação na Casa e, depois, no Senado. Continue acompanhando nossas atualizações para saber o desfecho.

Com informações de Agência Brasil

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