Caminhão com metanol apreendido em 2023 desencadeia operação que expôs esquema bilionário ligado ao PCC

Uma fiscalização da Polícia Rodoviária Federal (PRF) em 14 de maio de 2023, na Régis Bittencourt, marcou o início de um dos maiores inquéritos sobre adulteração de combustíveis no país. Na ocasião, agentes interceptaram um semirreboque conduzido por Renan Diego Inocência da Silva, carregado com metanol — produto químico importado e de uso restrito no Brasil.

O material seria destinado, segundo notas fiscais falsificadas, a empresas químicas. As investigações descobriram que o carregamento seria desviado para postos na Grande São Paulo, onde o metanol era misturado à gasolina em níveis que chegavam a 50%, muito acima do limite de 0,5% permitido pela Agência Nacional do Petróleo (ANP).

Documentos e celulares revelam a rota da fraude

Dados obtidos em celulares apreendidos na operação “Boyle” e centenas de “tickets de pesagem” emitidos pela empresa Cattalini, no Paraná, confirmaram o esquema. Enquanto os papéis indicavam transporte regular, os veículos faziam rotas clandestinas até estabelecimentos como o Auto Posto Bixiga Ltda., em São Paulo.

Segundo a Polícia Federal, mais de 10 milhões de litros de metanol foram desviados entre 2020 e 2024. Distribuidoras emitiam notas “quentes” para dar aparência de legalidade às cargas e, em troca, recebiam parte do lucro gerado pela adulteração.

Expansão das apurações até a Faria Lima

A análise das transações financeiras levou a Receita Federal e o Ministério Público de São Paulo a identificar a participação de fundos de investimento, gestoras e fintechs sediadas na Avenida Faria Lima. Ao todo, 42 dos 350 alvos da Operação Carbono Oculto estão no principal centro financeiro paulista.

As autoridades apontam que, entre 2020 e 2024, empresas vinculadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC) importaram R$ 10 bilhões em nafta, hidrocarbonetos e diesel, sonegaram R$ 8,67 bilhões em impostos e usaram o mercado financeiro para lavar recursos. O volume total movimentado pelo grupo no período é estimado em R$ 52 bilhões.

Conexões além do combustível

Além do setor de combustíveis, o inquérito menciona investimentos do crime organizado em imóveis, transporte público, mineração, produção de cigarros e bebidas. Essas frentes, segundo os investigadores, ajudam a ocultar a origem ilícita dos recursos e a diversificar receitas.

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Imagem: Montagem via oglobo.globo.com

A Operação Carbono Oculto segue em andamento, com mandados de busca, apreensão e prisão em vários estados. A PF afirma que novas fases podem ser deflagradas para rastrear o dinheiro e identificar eventuais colaboradores no sistema financeiro.

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Resumo: a apreensão de um caminhão com metanol em 2023 expôs cadeia que envolve postos, distribuidoras e instituições financeiras, revelando esquema de R$ 52 bilhões ligado ao PCC. Continue acompanhando o Diário de Finanças para novos desdobramentos.

Com informações de O Globo

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