Cartão de crédito com milhas é um dos benefícios mais cobiçados pelos consumidores de alta renda, mas 25% dos brasileiros das classes A e B acumulam pontos e não chegam a resgatar recompensas, segundo levantamento realizado pelo instituto Ipsos-Ipec.
O dado expõe um paradoxo: enquanto parte dos usuários vê nas milhas uma ferramenta para reduzir custos de viagem, uma fatia significativa permite que os pontos expirem ou permaneçam ociosos nos programas de fidelidade.
Cartão de crédito com milhas: 25% acumulam pontos e não usam
Para Maxnaun Gutierrez, head de Produtos e Pessoa Física do C6 Bank, a pulverização de gastos entre vários cartões tem diluído a pontuação: “Quando o cliente utiliza quatro ou cinco plásticos, os pontos ficam espalhados e parecem insuficientes para um resgate relevante, o que leva ao desinteresse”, explica.
Por que tantos pontos ficam parados?
Entre os fatores identificados pelos especialistas estão:
- Maior quantidade de cartões por pessoa, que fragmenta o acúmulo de pontos;
- Validade reduzida em alguns programas de fidelidade, gerando perda de milhas;
- Desconhecimento sobre as opções de resgate além de passagens aéreas;
- Preferência crescente por benefícios de retorno imediato, como o cashback.
O cenário contrasta com a experiência de usuários engajados, como o casal Letícia Vieira e Rafael Gouw. Viajando cerca de cinco vezes por ano, eles usam praticamente todas as milhas que acumulam. Em 2023, trocaram pontos por bilhetes na classe executiva da Qatar Airways para a Tanzânia. A passagem, que custaria R$ 50 mil por pessoa, foi emitida por valor equivalente a R$ 4 mil em milhas. “A economia permite investir em experiências locais e até planejar a próxima viagem”, comenta Letícia.
Milhas bem utilizadas geram economia
A pesquisa e relatos de usuários mostram que, quando bem gerenciadas, as milhas podem significar grande redução de custos. No mercado brasileiro, um trecho doméstico costuma requerer entre 10 mil e 25 mil pontos. Para rotas internacionais, a média parte de 100 mil milhas, podendo cair para cerca de 50 mil em promoções.
Isso faz das viagens nacionais as favoritas dos resgatadores, segundo Gutierrez: “O cliente acumula e troca mais rápido dentro do país”. Ele também observa que a digitalização do setor financeiro, a entrada de novos concorrentes e mudanças regulatórias simplificaram a oferta de contas em moeda estrangeira e cartões voltados ao acúmulo de pontos, sobretudo para o público de 25 a 34 anos — faixa etária em que 41% já aderiram às chamadas contas globais.
Cashback ganha espaço entre os benefícios
Apesar do apelo das milhas, o reembolso direto na fatura vem conquistando mais adeptos. Ainda segundo o Ipsos-Ipec, o cashback já supera o uso de pontos para emissão de passagens aéreas, sendo a escolha de 32% dos entrevistados. A troca por produtos e serviços aparece logo depois, com 33%.

Imagem: Luan Cceição
Gutierrez avalia que fatores macroeconômicos influenciam essa preferência. Com o aumento dos preços de passagens após a pandemia e a volatilidade do câmbio, parte dos clientes opta pela praticidade do dinheiro de volta: “O mercado de cashback está consolidado. Quando as passagens estão caras, seu apelo é ainda maior, mas milhas e cashback coexistem como benefícios bem estabelecidos”, diz.
Como aproveitar melhor os pontos
Especialistas sugerem medidas simples para evitar que milhas expirem:
- Concentrar gastos em um único cartão para acelerar o acúmulo;
- Acompanhar a data de validade dos pontos no aplicativo do banco ou do programa de fidelidade;
- Monitorar promoções de transferência bonificada entre programas e companhias aéreas;
- Avaliar resgates alternativos, como reservas de hotéis ou upgrades de cabine.
O consumidor que adota essas práticas tende a maximizar o retorno sobre cada real gasto, seja convertendo pontos em viagens, seja optando por cashback quando a conversão é mais vantajosa.
Para aprofundar-se em estratégias que potencializam o uso de recompensas, visite nossa seção de cartão de crédito.
Milhas paradas representam dinheiro perdido. Ao entender as regras dos programas e escolher o benefício que melhor se encaixa em seu perfil de consumo, o titular do cartão transforma gastos cotidianos em economia real. Aproveite as dicas e comece hoje mesmo a planejar o próximo resgate.



