Ferrovia Atlântico-Pacífico: Peru e Brasil marcam reunião

Ferrovia Atlântico-Pacífico será o principal assunto de uma reunião bilateral entre Peru e Brasil, anunciada nesta segunda-feira pela presidente peruana, Dina Boluarte. A mandatária informou que já existe data acertada para o encontro, no qual os dois governos tratarão da possibilidade de ligar, por trilhos, o Oceano Pacífico ao Atlântico.

Boluarte revelou que a reunião foi combinada durante a participação dela e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na 78ª Assembleia Geral das Nações Unidas, realizada em setembro. Segundo a chefe de Estado, o Peru “está em evidência” e diversos países buscam oportunidades de investimento no território peruano.

Ferrovia Atlântico-Pacífico: Peru e Brasil marcam reunião

O traçado cogitado interligaria o porto de Chancay, 80 quilômetros ao norte de Lima, ao estado da Bahia, no nordeste brasileiro. Estimado em aproximadamente US$ 10 bilhões, o projeto cortaria a Floresta Amazônica e venceria a Cordilheira dos Andes antes de alcançar o litoral atlântico.

Estudos de viabilidade com apoio chinês

Em julho, Brasil e China assinaram acordo de cooperação técnica para iniciar estudos de viabilidade da ferrovia. A participação chinesa é estratégica: o porto de Chancay, inaugurado em novembro, pertence 60 % à estatal de navegação China Ocean Shipping Company (Cosco) e 40 % à mineradora peruana Volcan Compañía Minera, quarta maior produtora mundial de prata e zinco.

Com capacidade para receber navios de até 24 mil contêineres, Chancay já oferece rota marítima direta entre América do Sul e China, reduzindo tempo e custos logísticos. A expectativa é de que, nos primeiros anos de operação, o terminal responda por 30 % a 40 % da carga peruana destinada à China e ao Sudeste Asiático.

Ceticismo em Lima sobre o investimento

Apesar do entusiasmo regional, o governo peruano mantém cautela. Também em julho, o primeiro-ministro Eduardo Arana declarou que o Peru não autorizou nem planeja aportar recursos na construção dos trilhos. Segundo ele, qualquer avanço dependeria de financiamento externo ou privado, já que o orçamento estimado de US$ 10 bilhões não consta nos planos atuais de infraestrutura do país.

“Se o Brasil quiser desenvolver o projeto com capital privado, o Ministério dos Transportes e Comunicações avaliará se concede a autorização”, afirmou Arana na ocasião, reforçando que o Executivo peruano não assumiu compromissos financeiros com Brasília ou Pequim.

Próximos passos

Detalhes sobre data, local e agenda da reunião bilateral ainda não foram divulgados. Nos bastidores, a expectativa é de que o debate foque em modelos de concessão, mecanismos de financiamento e possíveis impactos socioambientais ao longo do corredor ferroviário.

Enquanto isso, investidores acompanham o posicionamento oficial do Peru sobre a obra, considerada estratégica para encurtar distâncias entre os oceanos, aumentar a competitividade das exportações latino-americanas e criar um novo eixo logístico continental.

Para saber como grandes iniciativas de infraestrutura podem impulsionar a competitividade regional, veja outros destaques na seção de Economia do nosso portal.

Em resumo, Peru e Brasil darão um passo decisivo ao colocar a ferrovia Atlântico-Pacífico na mesa de negociações. Acompanhe as próximas atualizações e compartilhe esta notícia para manter mais pessoas informadas sobre esse projeto que pode redefinir o comércio sul-americano.

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