China deixa de comprar soja dos EUA pelo segundo mês consecutivo em outubro, período em que as importações totais do grão pelo país asiático atingiram um recorde histórico, impulsionadas por volumes vindos da América do Sul.
Dados da Administração Geral de Alfândega chinesa divulgados nesta quinta-feira revelam que, no mês passado, a China não recebeu nenhum carregamento de soja norte-americana, contraste marcante com as 541.434 toneladas métricas registradas em outubro de 2024.
China deixa de comprar soja dos EUA e Brasil ganha mercado
A ausência de compras dos Estados Unidos ocorre após Pequim ter aplicado tarifas elevadas sobre o produto norte-americano no início do ano e exaurido os estoques da safra anterior. Como maior importador mundial de soja, o país busca diversificar fornecedores para evitar riscos de abastecimento em meio às tensões comerciais com Washington.
Aumento das importações brasileiras
O Brasil foi o principal beneficiado pela mudança. Em outubro, as exportações brasileiras para a China somaram 7,12 milhões de toneladas, alta de 28,8% na comparação anual. O volume representou 75,1% de toda a soja desembarcada nos portos chineses no período.
Participação argentina também cresce
A Argentina, segundo maior vendedor sul-americano, enviou 1,57 milhão de toneladas ao mercado chinês, avanço de 15,4% sobre o mesmo mês de 2024. O resultado correspondeu a cerca de um sexto do total importado pela China.
Recorde mensal de compras
Somadas todas as origens, as importações chinesas alcançaram 9,48 milhões de toneladas em outubro, maior volume já registrado para o mês. De janeiro a outubro, a China adquiriu 70,81 milhões de toneladas de soja brasileira, incremento de 4,5% ante igual intervalo do ano anterior. No mesmo período, os embarques argentinos totalizaram 4,46 milhões de toneladas, alta de 23,9%.
Contexto das tarifas e perspectivas
Especialistas apontam que as tarifas impostas aos Estados Unidos, aliadas às disputas comerciais persistentes, devem manter o fluxo concentrado na América do Sul no curto prazo. Ainda assim, traders monitoram a safra norte-americana recém-colhida, que pode voltar a ser competitiva caso haja reaproximação entre Pequim e Washington.

Imagem: Divulgação
Com a quota norte-americana praticamente zerada e o Brasil ampliando sua participação, analistas estimam que o país sul-americano poderá consolidar liderança acima de 70% das compras chinesas até o fim do ano.
Para produtores brasileiros, o cenário confirma a relevância do mercado chinês e reforça a necessidade de logística eficiente para atender à crescente demanda.
Em resumo, as tensões comerciais redirecionaram o fluxo global de soja, gerando recordes de importação na China e ganhos expressivos para exportadores do Brasil.
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Fique atento às próximas publicações para acompanhar os desdobramentos desta disputa comercial e descobrir como ela pode afetar preços, logística e a competitividade dos produtores brasileiros.



