Clima econômico na América Latina melhora, mas Brasil recua -

Clima econômico na América Latina melhora, mas Brasil recua

Clima econômico na América Latina melhora, mas Brasil recua – O clima econômico na América Latina avançou 8,7 pontos no terceiro trimestre de 2025, alcançando 96,3 pontos, segundo a Sondagem Econômica da América Latina realizada pela Fundação Getulio Vargas (FGV). A região, porém, ainda permanece em terreno pessimista, abaixo da linha neutra de 100 pontos, e o Brasil foi a única nação a registrar retração.

Elaborado desde 1994 com a participação de centenas de especialistas em mais de dez países, o Indicador de Clima Econômico (ICE) capta percepções sobre a situação presente e as perspectivas futuras. A edição mais recente mostra que o impacto do tarifaço dos Estados Unidos foi menor que o temido, contribuindo para a “despiora” geral nas economias latino-americanas.

Clima econômico na América Latina melhora, mas Brasil recua

Indicadores de situação atual e expectativas

Os componentes do ICE também avançaram. O Indicador de Situação Atual (ISA) subiu 7,6 pontos, atingindo 81 pontos, enquanto o Indicador de Expectativas (IE) chegou a 92,7 pontos após ganhar 9,8 pontos. Ambos alcançaram o maior nível em um ano, indicando que, embora o sentimento siga negativo, a diferença entre presente e futuro diminuiu.

Brasil vai na contramão

Com queda de 3,6 pontos, o ICE brasileiro recuou para 66,1 pontos, o menor entre as principais economias da região. De acordo com Lívio Ribeiro, sócio da BRCG e pesquisador associado do FGV Ibre, dois fatores explicam o movimento: juros elevados e incerteza diante do calendário eleitoral. Esses elementos reduzem o apetite por investimentos e contribuem para a visão mais cautelosa sobre o país.

Paraguai lidera ranking regional

Na outra ponta, o Paraguai mantém-se na zona otimista, registrando 160,1 pontos e ocupando o primeiro lugar entre os países latino-americanos. A combinação de inflação controlada e expectativa de crescimento sustenta o otimismo local. Outras economias, como Chile e Colômbia, também apresentaram melhora, embora em patamar inferior ao paraguaio.

Pessimismo estrutural e nova convergência

Ribeiro lembra que, historicamente, a América Latina exibe avaliações econômicas mais baixas que outras regiões. Até 2023, existia um hiato relevante entre a percepção atual e as expectativas futuras, com os agentes econômicos confiantes em dias melhores. A partir do ano passado, porém, os dois indicadores passaram a caminhar juntos – sinal de maior realismo nas projeções.

Para o pesquisador, mesmo que uma nova alta seja registrada no quarto trimestre, o saldo anual dificilmente alterará o quadro de pessimismo estrutural. Ainda assim, o estreitamento entre ISA e IE indica que a análise dos participantes tornou-se menos “Poliana” e mais alinhada à evolução concreta das economias.

O ICE continuará sendo calculado trimestralmente pela FGV, oferecendo referência para decisões de governos, empresas e investidores sobre riscos e oportunidades na região.

Em resumo, o clima econômico na América Latina dá sinais de melhora sustentada, mas o Brasil segue pressionado por juros altos e incertezas políticas. A trajetória dos próximos trimestres definirá se o avanço regional se consolidará ou se as turbulências domésticas voltarão a predominar.

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