Confiança empresarial sobe ao maior patamar em 11 meses -

Confiança empresarial sobe ao maior patamar em 11 meses

Confiança empresarial avançou 0,5 ponto em janeiro de 2026, alcançando 92,5 pontos e registrando o nível mais alto desde fevereiro de 2025, informou nesta segunda-feira (2) a Fundação Getulio Vargas (FGV).

A pesquisa mostra que o Índice de Confiança Empresarial (ICE) foi impulsionado por expectativas mais otimistas em relação à demanda interna, favorecidas pela combinação de inflação controlada e possibilidade de queda da taxa básica de juros (Selic), explicou o pesquisador da FGV Aloisio Campelo Junior.

Confiança empresarial sobe ao maior patamar em 11 meses

Apesar da melhora geral, o Índice de Situação Atual (ISA), que mede a percepção sobre o momento presente, recuou 0,6 ponto, para 92,8. Já o Índice de Expectativas (IE) avançou 1,7 ponto, atingindo 92,3, movimento decisivo para o resultado positivo do ICE no primeiro mês do ano.

Setores mostram ritmos diferentes

A avaliação por segmentos revela comportamentos distintos. Na passagem de dezembro para janeiro, o ICE subiu:

  • 3,5 pontos na indústria;
  • 3,0 pontos no comércio;
  • 2,8 pontos na construção;
  • 0,6 ponto em serviços.

Campelo Junior destacou a resiliência da construção civil, beneficiada pelo programa habitacional Minha Casa, Minha Vida, obras de infraestrutura e projetos residenciais. Já o setor de serviços apresentou ajuste mais contido, mas ainda em território positivo.

Inflação controlada e perspectiva de juros menores dão suporte

Segundo o pesquisador, a percepção de que a inflação permanece comportada em 2026 e a expectativa de cortes na Selic trazem alívio para empresas de todos os portes. Esse cenário reforça a visão de uma retomada gradual da atividade econômica, com projeções de crescimento entre 1,8% e 2,0% para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano.

Medidas fiscais reforçam renda e consumo

Entre os fatores que podem estimular ainda mais a confiança, a FGV cita a isenção de Imposto de Renda para famílias com renda mensal abaixo de R$ 5 mil e o reajuste do salário mínimo no primeiro trimestre. Tais medidas tendem a aumentar a renda disponível e, consequentemente, impulsionar o consumo, sobretudo no comércio.

Lembrança de choques externos

Campelo Junior lembrou que, em 2025, a confiança empresarial foi abalada pelo aumento das tarifas de importação dos Estados Unidos, aprovado pelo presidente Donald Trump. O episódio reduziu temporariamente a competitividade dos produtos brasileiros. Neste ano, entretanto, o foco do empresariado voltou-se ao mercado doméstico, considerado mais promissor no curto e médio prazos.

Perspectivas para 2026

Os dados de janeiro sugerem que as empresas esperam uma evolução gradual da demanda nos próximos meses. Perguntas sobre o volume de vendas previsto para o trimestre seguinte, que haviam tocado o fundo do poço no quarto trimestre de 2025, agora mostram recuperação consistente.

Para a FGV, a continuidade desse movimento depende do controle da inflação, da efetiva redução dos juros e da manutenção de políticas de estímulo à renda. Caso essas condições se confirmem, o ICE pode aproximar-se da linha dos 100 pontos, patamar que indica otimismo disseminado entre os empresários.

O próximo levantamento da fundação será divulgado no início de março e trará novos sinais sobre o humor do empresariado em relação ao primeiro trimestre.

Quer entender como a evolução do crédito pode influenciar na confiança de empresas e consumidores? Leia nosso especial em Economia.

Resumo: o ICE subiu a 92,5 pontos em janeiro, maior nível em 11 meses, apoiado por expectativas de menor inflação e corte nos juros. Acompanhe nossos conteúdos e mantenha-se informado sobre os indicadores que movimentam a economia brasileira.

Scroll to Top