COP30: impasse sobre combustíveis fósseis pressiona Brasil -

COP30: impasse sobre combustíveis fósseis pressiona Brasil

COP30 combustíveis fósseis seguem no centro de um impasse que ameaça o desfecho da conferência climática em Belém. Na madrugada desta sexta-feira, a presidência brasileira apresentou um rascunho de declaração final sem qualquer menção à eliminação do uso de petróleo, gás e carvão, provocando reação imediata de cientistas e delegações.

Países produtores de petróleo, liderados pela Arábia Saudita, além de grandes emissores como Índia e China, bloquearam tentativas de inserir o tema no texto. Como o consenso é obrigatório para aprovar decisões na COP, a exclusão da referência aos fósseis colocou o Brasil contra o relógio para evitar que a reunião termine sem acordo.

COP30: impasse sobre combustíveis fósseis pressiona Brasil

A versão preliminar, divulgada horas antes do prazo oficial para encerramento da cúpula, foi classificada por pesquisadores como “fraca” e “traição à ciência”. Sete especialistas reunidos no pavilhão Ciência Planetária, entre eles o climatologista Carlos Nobre, divulgaram nota conjunta afirmando que “as palavras combustíveis fósseis estão completamente ausentes do texto mais recente”.

A oposição também partiu de um bloco de mais de 30 países. Alemanha, Bélgica, Colômbia, França e Reino Unido enviaram carta à condução brasileira da COP30 exigindo a reinclusão de um “mapa do caminho justo, ordenado e equitativo” para abandonar combustíveis fósseis. Os signatários avisaram que não endossarão um documento que ignore a principal fonte de emissões de gases de efeito estufa.

Na sequência, a Colômbia anunciou uma conferência paralela dedicada ao tema. O encontro está marcado para 28 e 29 de abril de 2026, em Santa Marta, no Caribe colombiano, organizado em parceria com a Holanda. Irene Velez, diretora da Agência Nacional do Meio Ambiente colombiana, declarou que “sem enfrentar os combustíveis fósseis de frente não estaremos lidando com o problema”. O governo brasileiro, até o momento, não aderiu à iniciativa.

Apesar de não constar na agenda inicial da COP30, a discussão ganhou fôlego após apelos públicos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para acelerar a transição energética. Lula tocou no assunto durante a cúpula de líderes que antecedeu a conferência e reforçou o pedido na última quarta-feira, ao retornar a Belém.

O presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, reconheceu a “resistência significativa” ao tema. Na COP28, em 2023, Dubai aprovou pela primeira vez a expressão “transitioning away from fossil fuels”, sem metas concretas. Dois anos depois, ainda há disputa semântica entre “phase-out” (saída) e “progressive reduction” (redução progressiva), divergência que levou o novo rascunho a simplesmente suprimir qualquer referência.

Além dos combustíveis fósseis, as conversas sobre financiamento climático seguem emperradas. Países desenvolvidos resistem a detalhar cifras e cronogramas para ajudar nações em desenvolvimento a se adaptar aos impactos do aquecimento global. A ausência de avanços simultâneos em ambos os temas eleva o risco de a COP terminar sem declaração formal, repetindo o cenário da COP15, em Copenhague, em 2009.

Logísticas também complicam as últimas horas de negociação. Dois navios de cruzeiro, que abrigavam parte das delegações em Belém, precisam zarpar na manhã de sábado. Representantes que não encontrarem acomodações alternativas poderão deixar a conferência, reduzindo ainda mais a margem de manobra para costurar consensos de última hora.

Caso o impasse persista, o Brasil poderá encarar críticas por falhar no que o Observatório do Clima chamou de “COP da Implementação”. O Instituto Internacional Arayara alertou que a omissão sobre fósseis compromete a credibilidade do encontro e o objetivo de limitar o aquecimento global a 1,5 °C, meta estabelecida pelo Acordo de Paris em 2015.

Negociadores brasileiros passaram a sexta-feira em reuniões bilaterais para tentar reintroduzir linguagem sobre combustíveis fósseis no texto e contornar objeções de produtores de petróleo. Se uma nova versão não surgir até o fim de semana, a conferência climática poderá se estender além do calendário previsto, com impacto direto na logística e no custo das delegações.

A tarefa de conciliar posições divergentes permanece complexa. O Brasil busca evitar que a COP30 termine sem resultado, equilibrando a pressão de cientistas, organizações da sociedade civil e países favoráveis ao desmonte dos combustíveis fósseis com o bloqueio de nações produtoras. Enquanto isso, o relógio avança e o futuro do acordo climático mais robusto desde Paris segue indefinido.

O desfecho das negociações indicará se a comunidade internacional concordará, ou não, em registrar pela primeira vez um compromisso claro de reduzir o consumo de petróleo, gás e carvão, passo considerado essencial para cumprir o limite de 1,5 °C de aquecimento global.

Quer entender como as mudanças políticas podem influenciar a economia brasileira? Confira nossa análise atualizada na seção Economia e aprofunde-se nos impactos das decisões globais sobre o seu bolso.

Em resumo, o Brasil corre contra o tempo para restabelecer a menção aos combustíveis fósseis no texto final da COP30 e evitar que a cúpula climática termine sem consenso. Acompanhe as próximas atualizações e saiba como essas decisões podem influenciar políticas ambientais e investimentos. Continue lendo e mantenha-se informado!

Scroll to Top