Copom robusto foi a expressão escolhida pelo diretor de Política Econômica do Banco Central, Diogo Abry Guillen, para definir a atual estrutura do Comitê de Política Monetária durante seu discurso de despedida na noite de quinta-feira (27).
Ao participar do 4º Seminário MacroLab de Conjuntura da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV EESP), o economista ressaltou que a autonomia institucional e avanços como a adoção da meta contínua de inflação reduziram a influência de preferências pessoais nas decisões sobre juros.
Copom robusto já independe de vontades individuais, diz Guillen
Guillen deixará o cargo em 31 de dezembro, depois de compor a última reunião do Copom deste ano e apresentar o Relatório de Política Monetária. A partir de janeiro, o órgão passará a ser formado apenas por nomes indicados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, conclusão de um processo iniciado com a aprovação da lei de autonomia do Banco Central em 2021.
Evolução institucional e menos personalismo
Segundo o diretor, a consolidação do regime de metas de inflação e a independência do BC criaram um ambiente de decisões ancoradas em análises técnicas, elevando a previsibilidade da política monetária. “O processo se torna tão robusto que vontades e preferências individuais vão perdendo importância”, afirmou.
Agenda de estatísticas em foco
Ao relembrar sua gestão iniciada em 2022, Guillen destacou duas disputas travadas pelo Departamento de Estatísticas. A primeira envolveu a classificação dos antigos saldos de PIS/Pasep como receita primária. O BC manteve, em nota técnica, o entendimento de que essa metodologia mascararia o resultado fiscal, contrariando propostas que surgir iam no Executivo.
A segunda controvérsia foi a defesa, no Supremo Tribunal Federal, da inclusão integral das despesas com precatórios nas contas do resultado primário, medida que preserva a comparabilidade dos dados fiscais com padrões internacionais.
Meta contínua de 3% e resistência a mudanças
Guillen recordou que a implementação da meta contínua de inflação de 3%, anunciada em 2023, baseou-se em estudos construídos por sucessivas equipes técnicas do BC. Ele também foi um dos defensores da manutenção dessa meta quando o governo cogitou elevá-la no Conselho Monetário Nacional (CMN) em junho daquele ano.
Produção acadêmica e abertura de dados
Durante o período, chegaram a 635 os trabalhos de pesquisa divulgados pelo BC. Houve, ainda, a criação de um programa de estágio de pós-graduação e o início de um projeto-piloto para liberar microdados anonimizados a pesquisadores externos, ampliando a transparência das estatísticas monetárias e financeiras.
Imagem: Divulgação
Reuniões com analistas padronizadas
Outro ponto citado foi a reorganização dos encontros com economistas de mercado. O diretor relatou a redução de reuniões bilaterais e a realização de reuniões trimestrais com grupos menores, adotando critérios uniformes de participação para evitar assimetrias de informação.
Inteligência artificial nos comunicados
Guillen revelou que o BC já utiliza ferramentas de processamento analítico de texto, baseadas em inteligência artificial, no preparo dos comunicados e atas do Copom. Ele ponderou, contudo, que as decisões finais continuam a depender do julgamento humano.
Com a saída de Guillen, o mercado acompanha a escolha do sucessor responsável por liderar a preparação técnica das reuniões do Copom. Até o momento, o Palácio do Planalto não anunciou o nome do próximo diretor de Política Econômica.
A despedida de Guillen reforça a mensagem de que a arquitetura institucional do Banco Central deve preservar a estabilidade das decisões de política monetária, independentemente das mudanças em seu quadro diretivo.
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Resumo: Diogo Guillen afirmou que o Copom tornou-se suficientemente robusto para neutralizar vontades individuais, graças à autonomia do Banco Central e à adoção da meta contínua. Continue navegando e acompanhe nossas atualizações para entender como a nova composição do BC poderá influenciar a política de juros nos próximos anos.



