Corte de juros do BoE pode ocorrer já na próxima reunião de política monetária, marcada para março, segundo avaliação do presidente do Banco da Inglaterra, Andrew Bailey. Em entrevista concedida nesta quinta-feira (5), logo após o comitê manter a taxa básica em 3,75% por uma votação apertada de cinco a quatro, Bailey afirmou que a probabilidade de redução é “50-50”.
O Comitê de Política Monetária (MPC, na sigla em inglês) decidiu preservar os juros no patamar atual, mas o equilíbrio dos votos ressaltou a divisão interna sobre o ritmo de afrouxamento. Bailey, frequentemente visto como o voto de desempate dentro do colegiado, destacou que precisará de mais evidências de que a inflação permanecerá ancorada em torno de 2% antes de apoiar um corte.
Corte de juros do BoE em março tem chance de 50%, diz Bailey
O presidente explicou que as projeções atualizadas do banco indicam que o Índice de Preços ao Consumidor deve recuar para perto da meta já em abril. “A inflação agora deve cair para a meta mais cedo do que pensávamos”, afirmou. “Mas a verdadeira questão é saber se isso será sustentável.”
Bailey também observou que a autoridade monetária se aproxima do que considera o nível neutro da taxa de juros — ponto no qual a política deixa de ser contracionista ou expansionista. Esse entendimento, segundo ele, embasou a retirada da palavra “gradual” da comunicação oficial sobre futuros movimentos, sinalizando que cortes podem ocorrer com maior flexibilidade.
Na prática, o BoE monitora de perto a trajetória dos preços e do mercado de trabalho. Caso os próximos dados confirmem a desaceleração esperada, um primeiro ajuste em março ganharia força. Por outro lado, qualquer surpresa altista na inflação poderia adiar a decisão.
O mercado financeiro já vinha precificando a possibilidade de redução em 2026; a fala de Bailey reforçou as apostas de que a guinada pode começar antes do previsto. Analistas ouvidos pela Bloomberg destacam que a sinalização de 50% de probabilidade não é garantia, mas remove o viés de manutenção predominante até então.
Imagem: Divulgação
Com o panorama ainda incerto, investidores continuam atentos aos discursos de dirigentes e aos indicadores de preços que serão divulgados nas próximas semanas, fator decisivo para calibrar expectativas sobre a política monetária britânica.
Para acompanhar outras notícias que impactam o rumo da economia global, visite a seção de Economia do Diário de Finanças.
Em resumo, Bailey vê chances iguais de corte ou manutenção dos juros em março, condicionando a decisão à confirmação de inflação perto de 2%. Fique atento e acompanhe nossas atualizações para entender como essa possível mudança pode influenciar seus investimentos.



