Crédito e Mercado recomendou fundo Horus Vetor alvo da CVM -

Crédito e Mercado recomendou fundo Horus Vetor alvo da CVM

Crédito e Mercado recomendou fundo Horus Vetor alvo da CVM. A consultoria financeira que orientou diversos regimes próprios de previdência municipal a comprar R$ 122 milhões em letras financeiras do Banco Master também sugeriu aplicações no fundo Horus Vetor, investigado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) desde 2020 por suspeita de operação fraudulenta.

O Horus Vetor era administrado pela Compostela Capital, empresa ligada a Tiago Schietti e Vicente Conte, ex-parceiros de Daniel Vorcaro. Os três figuram em investigações da Polícia Federal na operação Compliance Zero e em processo sancionador da CVM. Mesmo diante desses sinais de alerta, a consultoria assinou pareceres positivos que levaram institutos de previdência municipais a aportar R$ 10 milhões no fundo.

Crédito e Mercado recomendou fundo Horus Vetor alvo da CVM

Documentos internos mostram que a recomendação partiu do CEO da consultoria, Renan Calamia, condenado em dezembro de 2025 por gestão temerária justamente por ignorar restrições regulatórias e a ausência de laudo independente sobre o Horus Vetor. Entre os 13 institutos que ingressaram no fundo, seis tinham contrato de assessoria com a Crédito e Mercado: Santo Antônio de Posse, Itapevi, Itanhaém, Ilhabela e Caieiras, em São Paulo, além de Campo Mourão, no Paraná.

Como funcionava a estrutura do Horus Vetor

Relatórios da CVM indicam que, entre 2017 e 2018, gestores da Compostela direcionaram recursos do fundo para empresas nas quais detinham participação. As operações envolveram a compra de apartamentos em Florianópolis sem registro cartorial, a aquisição de terrenos dos próprios sócios e a negociação de jazigos funerários por preço três vezes superior ao de mercado. Parte do dinheiro retornou aos administradores por transferência bancária, segundo a autarquia.

A própria consultoria destacou no parecer enviado ao Instituto de Previdência de Santo Antônio de Posse que o potencial de valorização dos ativos imobiliários em Florianópolis poderia chegar a 94%. O texto, replicado ao Itanhaém Prev e assinado por outro consultor, citava apenas de forma genérica os riscos de mercado, crédito e liquidez.

Participação de Vorcaro e vínculos com o Banco Master

A Compostela Capital tinha 25% de seu capital detido pela Zion Participações, sociedade ligada a Daniel Vorcaro e a Vicente Conte. Além do Horus Vetor, institutos de Caieiras, Itapevi, Campo Mourão e Santo Antônio de Posse investiram aproximadamente R$ 15 milhões no Brazilian Graveyard and Death Care Services, outro fundo sob influência do mesmo grupo. O Banco Master atuou como administrador e cotista do Graveyard.

Em Ilhabela, a proposta para aplicar recursos tanto no Horus Vetor quanto no Graveyard foi apresentada por um ex-funcionário da Crédito e Mercado que, à época, já havia migrado para a Compostela. Atas de comitês de investimento obtidas pela reportagem deixam explícito que as decisões se basearam nas análises da consultoria.

Defesas e posicionamentos

A Crédito e Mercado informou que seus pareceres não constituem recomendação de investimento, mas avaliação técnica solicitada pelos clientes, e declarou que a CVM encerrou um procedimento de supervisão sobre a atuação da consultoria. Já a defesa de Daniel Vorcaro preferiu não comentar o caso. Vicente Conte confirmou ter sido sócio de Schietti na Compostela, mas negou conhecer detalhes das operações do Horus Vetor.

Renan Calamia, em seus documentos, justificou a sugestão de aporte no fundo apontando “qualidade do processo de gestão, de risco e de compliance” identificada na diligência. Entretanto, a CVM refutou essa avaliação e, em junho de 2025, rejeitou proposta de acordo dos gestores pela gravidade das irregularidades apontadas.

Consequências para os cotistas

O Horus Vetor foi liquidado em 2019 após notificação da Secretaria de Previdência Social sobre o desenquadramento dos cotistas, todos regimes próprios de previdência. Na devolução de recursos, o valor nominal repassado ficou 6% acima do capital investido. Apesar do resultado ligeiramente positivo, o professor Renan Silva, do Ibmec Brasília, ressalta que a ausência de cotas próprias dos gestores no fundo evidencia desalinhamento de interesses, ponto sensível em casos de fraude.

Para a CVM, qualquer transação com partes relacionadas deve ocorrer a preços de mercado, ser totalmente transparente e, preferencialmente, contar com aprovação de comitê independente. A autarquia prossegue analisando o mérito das acusações de gestão fraudulenta envolvendo Lucas e Tiago Schietti, além de outros executivos da Compostela.

Enquanto o processo não é concluído, municípios que confiaram nas orientações da Crédito e Mercado aguardam desfecho regulatório para avaliar possíveis medidas de responsabilização. A investigação também pressiona o Banco Master, que administrou fundos ligados ao mesmo grupo empresarial.

O caso reforça a necessidade de maior rigor na escolha de consultorias e no acompanhamento de investimentos de entidades públicas, especialmente quando envolvem estruturas complexas e gestores com interesses cruzados.

Em síntese, a trajetória do Horus Vetor mostra como pareceres favoráveis, mesmo sem caráter de recomendação formal, podem influenciar decisões que expõem recursos de previdência municipal a riscos elevados.

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Esta reportagem detalhou a atuação da consultoria Crédito e Mercado na indicação do fundo Horus Vetor, investigado pela CVM. Acompanhe nossas atualizações e compartilhe para que mais leitores fiquem atentos aos riscos em investimentos de entes públicos.

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