Crescimento econômico do Brasil trava com cenário favorável, aponta avaliação publicada em 25 de janeiro de 2026 por Aristóteles Drummond. Mesmo contando com condições externas positivas, o país corre o risco de desperdiçar mais uma oportunidade de elevar renda per capita e indicadores sociais.
O autor destaca que a combinação de populismo, viés anticapitalista e forte presença do Estado mantém o ritmo de expansão abaixo do potencial. Embora o saldo comercial seja um dos cinco maiores do planeta, as reservas internacionais sejam robustas e o mercado interno ultrapasse 230 milhões de consumidores, gargalos internos continuam a impedir um avanço sustentável.
Crescimento econômico do Brasil trava com cenário favorável
A análise lembra que o território nacional dispõe de energia renovável abundante, excedentes na produção de alimentos e melhora gradual em tecnologia e produtividade. Com esses ativos, seria possível dar o “grande salto” de competitividade. No entanto, a realidade mostra outro quadro:
Fatores que emperram a competitividade
• Leis trabalhistas que desestimulam contratações e elevam custos empresariais.
• Gastos públicos elevados e carga tributária superior à média da OCDE.
• Dívida governamental em trajetória ascendente, pressionando juros.
• Uma das economias mais fechadas entre as 30 maiores do mundo, limitando o comércio exterior.
• Legislação de perfil esquerdista que dificulta a exploração de minerais estratégicos — como terras raras, níquel, lítio e grafite —, parte deles situados em áreas indígenas maiores que a França.
Para Drummond, o país precisa “um pouco mais de mentalidade capitalista e menos burocracia” para liberar investimentos produtivos e ampliar a participação global.
Turbulência no sistema financeiro
O caso do Banco Master continua no centro das atenções. As investigações sobre fraudes vêm crescendo à medida que documentos são analisados pelos responsáveis pela liquidação da instituição. O episódio reforça a desconfiança do mercado sobre as indicações políticas para duas vagas na diretoria do Banco Central e para a presidência da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), criticadas logo após serem anunciadas.
Segundo o articulista, o clima de incerteza afasta capital estrangeiro e doméstico, contribuindo para a sensação de que “não há ambiente para investir no país neste momento”.
Variedades econômicas e políticas
• O BTG Pactual, já presente em Portugal nos setores imobiliário, hoteleiro, vinícola e financeiro, comprou um banco nos Estados Unidos de um membro da família Safra.
Imagem: Divulgação
• A política invadiu o Carnaval do Rio: uma escola de samba de Niterói escolheu o presidente Lula como enredo, motivando ação da oposição na Justiça por suposta antecipação de campanha eleitoral.
• O fluxo de turistas europeus ao Brasil disparou em 2025, impulsionado pelos voos da TAP e da Air France para o Nordeste. Fortaleza, Salvador e Recife concentram a maior parte das chegadas, beneficiadas pelo clima favorável o ano inteiro.
• A Câmara Municipal do Rio de Janeiro listou mais de 200 imóveis abandonados no centro histórico. Proprietários que não iniciarem obras serão desapropriados; os imóveis irão a leilão e o valor arrecadado retornará aos donos originais.
• Detido, o ex-presidente Jair Bolsonaro protestou — por meio de advogados — contra o barulho do ar-condicionado da cela, que já conta com uma pequena geladeira.
• As ações da companhia aérea Azul recuaram mais de 50%, mesmo com voos domésticos e internacionais apresentando alta ocupação.
• A FedEx deixará de atuar no mercado interno brasileiro e focará em entregas internacionais, enquanto a concorrente DHL amplia participação ao ocupar espaço dos Correios, que enfrentam crise.
• O acordo União Europeia–Mercosul pode ter efeito limitado. Além das resistências francesas, o texto encara barreiras no Parlamento Europeu e nas economias mais fechadas dos quatro membros fundadores do bloco sul-americano. Para Drummond, a aprovação ocorreu mais como um gesto político contrário à política externa dos Estados Unidos durante o governo Trump.
Apesar de reservas internacionais elevadas, saldo comercial vigoroso e vasto mercado consumidor, o crescimento econômico do Brasil permanece contido por entraves estruturais, incertezas políticas e instabilidade regulatória. Sem reformas que facilitem negócios, simplifiquem impostos e atraiam investimentos, o país pode prolongar a trajetória de estagnação.
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O Brasil reúne recursos para avançar, mas só destravará seu potencial quando transformar ambiente regulatório, garantir segurança jurídica e abrir-se ao comércio global. Continue acompanhando nossas publicações e saiba como essas mudanças podem mexer no seu bolso.



