Crime organizado no Brasil sobe e país entra no top 20

Crime organizado no Brasil ganha força e leva o país à 14ª colocação entre as 193 nações avaliadas pelo Índice Global de Crime Organizado (GI-TOC) de 2025, divulgado em novembro, superando a 22ª posição registrada na edição de 2023.

Com nota 7,07 em uma escala de 0 a 10 — quanto maior o número, maior a criminalidade — o Brasil agora figura no grupo dos 20 piores países em prevalência de organizações criminosas, atrás de Myanmar, Colômbia e México, mas à frente de Líbia e Venezuela.

Crime organizado no Brasil sobe e país entra no top 20

O estudo atribui a escalada brasileira a quatro vetores principais: avanço do mercado de cocaína, expansão do comércio de produtos falsificados, persistência de crimes ambientais e fragilidade do sistema prisional, que funciona como incubadora de facções.

Cocaína impulsiona facções e rotas amazônicas

Segundo o GI-TOC, o Brasil é o segundo maior consumidor mundial de cocaína e, simultaneamente, ponto estratégico de envio da droga para a Europa. Rotas que cruzam a Amazônia, com saída pelos portos do Pará e do Amapá, ganharam importância nos últimos dez anos, refletindo o crescimento do mercado europeu.

A lucratividade do entorpecente alimenta outros ilícitos, entre eles o tráfico de armas. Facções como Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) importam armamentos de Croácia, Turquia, Eslovênia e Estados Unidos por intermédio de empresas de fachada, encaminhando o arsenal ao Paraguai e depois ao território brasileiro.

Crimes ambientais mantêm o país no topo negativo

Garimpo ilegal, extração de madeira e tráfico de fauna e flora colocam o Brasil em segundo lugar no ranking global desses dois mercados ambientais. De acordo com a pesquisa, esses crimes se disseminam sobretudo em áreas remotas, onde a presença do Estado é frágil.

Falsificação se diversifica e avança no interior

O mercado de produtos falsificados aparece como outro elemento de peso na deterioração do indicador nacional. Bebidas alcoólicas encabeçam o segmento, impulsionadas pelo encarecimento dos destilados importados e pela alta carga tributária. Roupas, medicamentos, eletrônicos e pesticidas também figuram entre os itens pirateados, com origem em China, Paraguai e Guiana. Há ainda produção interna em polos como Ribeirão Preto, Franca e São José do Rio Preto, no interior paulista, além de Goiânia.

Sistema prisional reforça redes criminosas

A GI-TOC destaca que a estrutura penitenciária brasileira serve de base para o fortalecimento das facções, sem perspectiva de curto prazo para reversão desse quadro. A presença dessas organizações em quase metade do território amazônico exemplifica a penetração das redes ilícitas.

Pequeno avanço em resiliência institucional

Apesar da piora na posição geral, o Brasil registrou ligeira melhora nos indicadores de resiliência, que medem a capacidade do Estado de responder ao crime organizado. O relatório cita a Operação Carbono Oculto — deflagrada para desmontar um esquema bilionário de sonegação, fraudes e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis vinculado ao PCC — como exemplo de ação coordenada entre Judiciário e órgãos de investigação.

Deflagrada em oito estados, a operação cumpriu mais de 300 mandados, identificou importações de combustíveis superiores a R$ 10 bilhões, créditos tributários de R$ 8,6 bilhões e movimentação financeira de R$ 52 bilhões.

Ranking 2025: líderes da criminalidade global

Além do Brasil, o top 20 do índice inclui:

Mianmar (8,08), Colômbia (7,82), México (7,68), Paraguai (7,48), Equador (7,48), República Democrática do Congo (7,47), África do Sul (7,43), Nigéria (7,32), Líbano (7,30), Turquia (7,20), Quênia (7,18), Iraque (7,17), Honduras (7,10), Líbia (7,05), República Centro-Africana (7,03), Afeganistão (7,02), Cambodja (7,02), Síria (6,98) e Venezuela (6,97).

Para os pesquisadores, reduzir a infiltração de grupos criminosos nas estruturas estatais e fortalecer políticas públicas de fiscalização ambiental e tributária são caminhos prioritários para melhorar a posição brasileira nas próximas edições.

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O avanço do crime organizado no Brasil evidencia a necessidade de políticas integradas contra facções, tráfico de drogas e ilegalidades ambientais. Continue acompanhando nossas atualizações e compartilhe esta reportagem para ampliar o debate sobre segurança pública.

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