Daniel Vorcaro declarou em depoimento à Polícia Federal que nunca cogitou fugir do Brasil e que nem em seus “piores pesadelos” imaginou ser preso, reforçando que enfrenta “os problemas de frente”.
O dono do Banco Master foi detido em 17 de novembro de 2026 no Aeroporto de Guarulhos, pouco antes de embarcar para o exterior. Ele disse ter comunicado previamente a viagem ao Banco Central e à própria PF, reiterando que a saída do país destinava-se a concluir negociações para a venda da instituição financeira.
Daniel Vorcaro nega fuga e diz jamais imaginar prisão
O depoimento, concedido em dezembro por determinação do ministro Dias Toffoli, relator do caso no Supremo Tribunal Federal, foi obtido pelo Valor Econômico. No documento, Vorcaro contesta a suspeita de tentativa de fuga, observando que avisou as autoridades sobre o trajeto. Segundo ele, “uma fuga de alguém que avisa a Polícia Federal” seria ilógica.
Comunicação prévia a autoridades
Aos investigadores, o banqueiro detalhou ter informado o Banco Central e a Polícia Federal na semana anterior ao embarque. De acordo com o relato, o voo tinha como destino Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, e não Malta, como apontou a investigação inicial. “Já tinha viajado uma semana antes para tratar com os mesmos investidores, amplamente divulgado”, declarou.
Vorcaro acrescentou que, após a negativa do Banco de Brasília (BRB) em operações relacionadas ao Master, buscou alternativas para evitar prejuízo ao mercado. “Fui quatro vezes a Dubai no ano para tratar com esses mesmos investidores e com outros que apareceram”, afirmou, qualificando a transação como “um desfecho de final feliz para o sistema financeiro”.
Negociação para venda do Banco Master
O banqueiro relatou que o acordo com a Fictor Holding Financeira, grupo sediado nos Emirados Árabes, estava praticamente fechado: restavam apenas as assinaturas formais. A venda seria, segundo ele, uma solução para reforçar o capital do banco. “Não era só para mim; era para todo o sistema”, disse no depoimento.
Apesar da prisão, Vorcaro ressaltou que pretende levar adiante a operação comercial. “Vou encarar esse negócio até o final”, garantiu. A defesa sustenta que a detenção interrompeu etapas finais do contrato, mas que as tratativas continuam.
Imagem: Divulgação
Relações políticas contestadas
No mesmo interrogatório, Vorcaro ironizou afirmações de que manteria ligações políticas influentes. “Se eu tenho tantas relações políticas como dizem, eu não estaria com a operação do BRB negada, nem usando tornozeleira eletrônica”, declarou. Ele destacou que sua família também sofre com a situação e negou ter solicitado ajuda de autoridades para impedir a prisão.
O processo segue no Supremo Tribunal Federal sob relatoria do ministro Dias Toffoli. A defesa aguarda decisões sobre possíveis medidas cautelares e sobre a continuidade das investigações.
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Em resumo, o empresário reitera que não houve tentativa de fuga, sustenta a transparência da viagem e garante que continuará empenhado na venda do Banco Master. Para ficar por dentro de novas informações e análises do setor, continue acompanhando nosso site.



