Delcy Rodríguez assume presidência interina da Venezuela -

Delcy Rodríguez assume presidência interina da Venezuela

Delcy Rodríguez assumiu oficialmente a Presidência interina da Venezuela após a captura de Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos na madrugada de sábado, 3 de janeiro de 2026. A vice-presidente, de 55 anos, permanecerá no cargo por 90 dias para “garantir a continuidade administrativa e a defesa integral da Nação”, conforme decisão do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ).

O ministro da Defesa, Vladimir Padrino, confirmou neste domingo, 4 de janeiro, o apoio das Forças Armadas à nova chefe de Estado. Em pronunciamento em cadeia nacional, ele endossou o entendimento do TSJ e reforçou que o Exército “reconhece e obedece” à autoridade de Rodríguez.

Delcy Rodríguez assume presidência interina da Venezuela

Pela Constituição venezuelana, a vice-presidência deve assumir provisoriamente o comando do país sempre que o mandatário é destituído. O dispositivo foi aplicado logo após a operação norte-americana que resultou na retirada de Maduro do poder.

Primeira fala após a captura de Maduro

Em sua declaração inaugural, Delcy Rodríguez pediu calma à população e afirmou que a Venezuela “nunca será colônia de nenhuma nação”. A líder interina classificou a ação militar dos Estados Unidos como um “sequestro” e prometeu defender a soberania venezuelana em organismos internacionais.

Do lado norte-americano, o presidente Donald Trump declarou à revista The Atlantic que Rodríguez “vai pagar um preço muito alto” se não cooperar com Washington. Segundo o republicano, eventuais sanções poderão ser “ainda mais duras que as aplicadas a Maduro”. O jornal The New York Times revelou que autoridades dos EUA já consideravam o nome de Rodríguez “aceitável, ao menos temporariamente”, semanas antes da ofensiva.

Trajetória de uma figura central do chavismo

Delcy Eloína Rodríguez Gómez nasceu em Caracas em 18 de maio de 1969. Filha do fundador da Liga Socialista, Jorge Antonio Rodríguez, morto sob custódia policial em 1976, ela formou-se em Direito do Trabalho na Universidade Central da Venezuela e cursou pós-graduações em Paris e Londres. Antes de ingressar no governo, foi professora universitária e presidiu uma associação de advogados trabalhistas.

Sua carreira política começou em 2003, ainda durante o governo Hugo Chávez. Desde então, acumulou cargos estratégicos:

  • Vice-ministra para Assuntos Europeus (2005)
  • Ministra de Assuntos Presidenciais (2006)
  • Ministra da Comunicação e Informação (2013-2014)
  • Ministra das Relações Exteriores (2014-2017)
  • Presidente da Assembleia Nacional Constituinte (2017-2018)
  • Vice-presidente executiva (desde 14 de junho de 2018)
  • Ministra do Petróleo e da Economia (2024-2025)

Integrante da direção nacional do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), Rodríguez também liderou brevemente o movimento Somos Venezuela, criado em 2018. Ao longo dos anos, consolidou-se como uma das porta-vozes mais combativas do chavismo contra pressões externas.

Sanções internacionais e tensões recentes

Desde 2018, a presidente interina é alvo de sanções impostas por Estados Unidos, União Europeia, Canadá, México e Suíça. As medidas incluem congelamento de ativos e restrições de viagem, motivadas por acusações de corrupção, violações de direitos humanos e suposta erosão democrática.

Nos meses anteriores à atual crise, Rodríguez intensificou críticas a Washington. Em dezembro de 2025, classificou como “roubo” a apreensão de navios petroleiros venezuelanos pelos EUA e condenou a renovação de sanções contra empresas como a Chevron, além da venda forçada da Citgo, subsidiária da estatal PDVSA em território norte-americano. Segundo ela, as restrições “roubaram 99% da renda nacional”.

Próximos passos

Com Maduro detido e o país sob forte tensão, o mandato interino de Delcy Rodríguez deve durar, inicialmente, três meses. Durante esse período, o TSJ poderá estender a gestão ou convocar novas eleições, a depender do cenário interno e das negociações com a comunidade internacional.

Analistas apontam que a governabilidade de Rodríguez dependerá do apoio contínuo das Forças Armadas, da unidade do PSUV e da capacidade de dialogar com potências estrangeiras. Enquanto isso, Washington mantém a pressão: “Se ela não fizer o que é certo, vai pagar um preço muito alto”, reiterou Trump.

No curto prazo, a presidente interina busca mobilizar aliados internos e externos para denunciar o que chama de intervenção estrangeira. Ela também deve apresentar um plano emergencial para estabilizar a economia, afetada por sanções, queda na produção de petróleo e hiperinflação.

Rodríguez encerrou seu primeiro pronunciamento garantindo que “a Venezuela continuará livre e soberana” e pedindo união nacional diante da crise. Nos próximos dias, ela pretende reunir governadores, prefeitos e representantes do setor produtivo para discutir medidas de emergência.

Para entender como turbulências políticas afetam indicadores e investimentos, confira outros artigos em nossa seção de Economia.

Delcy Rodríguez enfrenta o maior desafio de sua carreira ao assumir a presidência interina em meio a forte pressão interna e externa. Acompanhe nossas atualizações e fique por dentro dos desdobramentos — inscreva-se em nossa newsletter e receba análises em tempo real.

Scroll to Top