Democracia na Venezuela volta ao centro do debate regional após líderes de seis países divulgarem, neste sábado (20), um comunicado que exige o restabelecimento da ordem democrática e o respeito aos direitos humanos no país governado por Nicolás Maduro.
O documento, apresentado paralelamente à Cúpula do Mercosul em Foz do Iguaçu, reúne as assinaturas dos presidentes Javier Milei (Argentina), Santiago Peña (Paraguai) e José Raúl Mulino (Panamá), além de ministros da Bolívia, do Equador e do Peru. Nenhuma autoridade brasileira endossou a carta.
Democracia na Venezuela: Mercosul pressiona por retorno
Na nota, os signatários expressam “profunda preocupação” com a crise migratória, humanitária e social que afeta a Venezuela. Eles lembram que Caracas foi suspensa do Mercosul em 2017 por ruptura da ordem democrática e pedem que o governo venezuelano cesse desaparecimentos forçados e detenções arbitrárias, garantindo o devido processo legal.
Segundo o texto, princípios como multilateralismo, direitos humanos e liberdades fundamentais são “indispensáveis” para a integração e o desenvolvimento regionais. Os líderes comprometem-se a atuar, de forma pacífica, para que a democracia na Venezuela seja restabelecida.
A declaração ignora a recente escalada de tensões entre Estados Unidos e Venezuela, bem como o aumento da presença militar norte-americana na região. Também não aborda possíveis sanções econômicas.
Durante a mesma cúpula, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que uma intervenção armada dos EUA na Venezuela seria “uma catástrofe humanitária” e criaria “precedente perigoso”. Já Javier Milei elogiou a “pressão” exercida pelo ex-presidente americano Donald Trump sobre Nicolás Maduro.
A versão final da Declaração de Líderes do Mercosul, divulgada ao término do encontro, não incluiu qualquer menção à situação venezuelana, evidenciando a falta de consenso entre os países-membros sobre o tema.
Imagem: REUTERS
Com a ausência do Brasil, um dos fundadores do Mercosul, o comunicado ficou restrito aos governos que buscam uma postura mais firme contra Caracas. As autoridades brasileiras não comentaram publicamente o motivo de não aderir à nota.
Para analistas, a iniciativa sinaliza pressão adicional sobre o governo Maduro, ao mesmo tempo em que expõe divergências dentro do bloco sul-americano sobre como lidar com a crise. Novos desdobramentos podem ocorrer nas próximas reuniões regionais.
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Resumo: líderes de seis países do Mercosul cobraram, sem a participação do Brasil, o retorno da democracia na Venezuela. Continue acompanhando nossos conteúdos para ficar por dentro dos próximos passos e entender o impacto político e econômico na América do Sul.



