Depósitos judiciais no BRB: CNJ cobra 5 tribunais -

Depósitos judiciais no BRB: CNJ cobra 5 tribunais

Depósitos judiciais no BRB concentram nova investigação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O corregedor nacional, ministro Mauro Campbell Marques, determinou que cinco tribunais de Justiça expliquem, em até 15 dias, contratos que somam aproximadamente R$ 30 bilhões mantidos no Banco de Brasília.

Campbell atendeu a pedido de providências do advogado Alex Ferreira Borralho, que apontou possíveis movimentações atípicas na gestão desses recursos. Foram intimados os tribunais de Alagoas, Paraíba, Bahia, Maranhão e Distrito Federal.

Depósitos judiciais no BRB: CNJ cobra 5 tribunais

Na decisão, o ministro solicitou que cada corte envie “as informações que entender pertinentes” sobre as alegações apresentadas. Depósitos judiciais são valores bloqueados ou recolhidos durante processos para garantir o cumprimento de futuras decisões.

Determinação do CNJ e alcance da medida

O corregedor destacou que o montante sob análise chega a R$ 30 bilhões. Apenas no Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJ-DF), o BRB é a única instituição credenciada para receber esses recursos, conforme informação oficial do próprio tribunal.

O pedido inicial ao CNJ envolvia somente o Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA) e cerca de R$ 2,8 bilhões. A investigação, entretanto, foi ampliada após indícios de que contratos semelhantes se repetem em outras regiões.

Como o BRB passou a concentrar os recursos

Nos últimos anos, o Banco de Brasília intensificou a busca por depósitos judiciais, considerados uma das fontes de funding mais baratas do mercado. Em alguns casos, a remuneração oferecida pela instituição superou a de concorrentes como Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil.

Em Estados como o Maranhão, não houve licitação; a escolha do banco foi feita diretamente pela presidência do tribunal, segundo relatos reunidos no processo.

Situação financeira e investigações paralelas

O balanço de junho de 2023, o mais recente disponível, mostra que o BRB detinha R$ 19,4 bilhões em depósitos judiciais, valor inferior ao apontado pelo CNJ, mas ainda substancial. O banco é alvo de apuração da Polícia Federal por suspeita de gestão fraudulenta e, no ano passado, teve barrada pelo Banco Central a tentativa de compra do Banco Master.

No Supremo Tribunal Federal, corre inquérito sobre suposta emissão de títulos sem lastro pelo Master, que teriam sido assumidos pelo BRB no processo de aquisição frustrada. Para reforçar liquidez e capital, a instituição negocia a venda de carteiras e ativos diversos, além de buscar uma capitalização mínima de R$ 5 bilhões. Entre as alternativas estudadas está a criação de um fundo que receba aportes de bancos privados.

Resposta dos tribunais e do banco

Procurado, o TJ-DF afirmou que o credenciamento do BRB vigora desde 2021 e segue orientações do CNJ. A corte informou ainda que “acompanha atentamente” as investigações e enviará as informações solicitadas. Até o fechamento desta reportagem, os demais tribunais e o BRB não se manifestaram.

Próximos passos e possíveis impactos

Caso os esclarecimentos não sejam considerados satisfatórios, o CNJ pode instaurar processo disciplinar para apurar eventual irregularidade na escolha do BRB ou na administração dos depósitos. Especialistas lembram que esses valores não contam com a garantia do Fundo Garantidor de Créditos; em eventual liquidação do banco, os recursos teriam de ser transferidos a outra instituição pública.

A determinação do CNJ reacende o debate sobre transparência e competitividade na contratação de bancos para gerir depósitos judiciais, tema que pode ganhar força em outras unidades da federação.

Para acompanhar os desdobramentos sobre o setor financeiro e ver outras análises econômicas, visite nossa seção de Economia.

Em resumo, o CNJ quer respostas rápidas sobre a concentração de R$ 30 bilhões em depósitos judiciais no BRB. Continue acompanhando nossas atualizações e saiba primeiro como essa investigação pode afetar tribunais, bancos e contribuintes.

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