Desvio no Banco Master: BC aponta 36 empresas e R$ 11,5 bi -

Desvio no Banco Master: BC aponta 36 empresas e R$ 11,5 bi

Desvio no Banco Master foi o termo usado pelo Banco Central (BC) para descrever um suposto esquema que teria redirecionado R$ 11,5 bilhões por meio de empréstimos fictícios a 36 empresas de pequeno e médio porte.

Segundo comunicação enviada pelo BC ao Ministério Público em 17 de novembro de 2025, véspera da liquidação extrajudicial do Banco Master, os recursos circularam por fundos administrados pela gestora Reag e retornaram ao banco como aplicações em CDB, grande parte coberta pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

Desvio no Banco Master: BC aponta 36 empresas e R$ 11,5 bi

As empresas listadas pelo regulador atuam, em sua maioria, na construção civil, possuem capital social baixo — algumas inferior a R$ 1 mil — e apresentam constituição recente. O BC também identificou negócios de maior porte nos setores de alimentos, hotelaria e comércio exterior; em certos casos, há sócios em comum entre elas.

Como operava o esquema, segundo o Banco Central

O modelo se repetia: a empresa tomava o empréstimo no Banco Master e, na sequência, aplicava quase todo o montante nos fundos D Mais e Bravo, ambos dentro da estrutura da Reag. A autoridade monetária afirma que esses veículos investiam em outros fundos da mesma gestora, responsáveis pelo efetivo desvio dos recursos.

Um dos destinos preferenciais era o FIDC High Tower. Esse fundo comprava, com forte deságio, cártulas representativas de ações do antigo Banco do Estado de Santa Catarina (Besc), incorporado pelo Banco do Brasil em 2008. Posteriormente, os papéis eram reavaliados por valores muito superiores. O BC cita um lote adquirido por R$ 850 milhões que apareceu no balanço por R$ 10,8 bilhões.

Com a alta artificial, o High Tower registrou retorno anual de 10.502.205,65% em 2024, gerando ganho de R$ 10,502 bilhões, mesmo após amortizar R$ 6 bilhões em cotas. A maior parte desse lucro, sustenta o BC, teve origem nos empréstimos simulados das 36 empresas.

Valores expressivos em nomes discretos

A Brain Realty Consultoria e Participações aparece como o maior tomador individual, com R$ 449,36 milhões. O valor médio por empresa foi estimado em R$ 288 milhões, e o menor aporte rastreado chegou a R$ 57 milhões.

Após a primeira rotação de recursos, iniciava-se a suposta lavagem de dinheiro: os valores transitavam por até seis fundos exclusivos ligados à Reag — Astralo 95, Reag Growth 95, Hans 95, Maia 95 e Anna — até regressarem ao Banco Master sob a forma de CDB em nome de laranjas, descreve o relatório.

Ligações com outras investigações

A Reag foi citada na Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto de 2025 para apurar uso de fundos na lavagem de recursos do PCC. Já em julho de 2025, o BC enviou outro relatório ao Ministério Público sobre vendas de carteiras de crédito do Master ao Banco de Brasília (BRB), avaliadas em R$ 12,2 bilhões e consideradas inexistentes.

O regulador afirma ter encontrado vinculação entre os dois casos: controladores de Master e BRB teriam apresentado pedidos de aumento de capital lastreados em contas laranja abastecidas com recursos desviados via Reag.

Pedidos de bloqueio e posicionamentos

No documento encaminhado ao Ministério Público, o Banco Central solicitou o congelamento de R$ 11,5 bilhões em ativos em nome de terceiros, a fim de ressarcir credores da massa falida do Master, como o FGC e fundos de pensão de entidades públicas.

Em nota, a Reag declarou não ser alvo da Operação Compliance Zero e informou que todos os fundos citados são regulados, auditados e supervisionados pela CVM e pelo próprio BC. Já a defesa de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, afirmou que não houve solicitação para remeter as apurações sobre as Operações Carbono Oculto, Quasar ou Tank ao Supremo Tribunal Federal. Segundo a defesa, decisões judiciais apontaram inexistência de vínculo entre Vorcaro, o banco e esses casos.

O caso segue em análise pelo Ministério Público, que estuda medidas judiciais para recuperar os valores apontados pelo Banco Central.

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Resumo: o Banco Central identificou 36 empresas ligadas a um desvio de R$ 11,5 bilhões do Banco Master, envolvendo fundos da Reag e empréstimos fictícios. Continue acompanhando o Diário de Finanças para receber atualizações e análises completas.

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