Dólar à vista avança 0,62% e fecha a R$ 5,4686 neste pregão — o movimento mostrou um descolamento do desempenho observado nas principais praças internacionais e colocou o real entre as moedas de pior performance do dia.
Apesar de o Federal Reserve ter cortado juros, anunciado compras de títulos e afastado qualquer sinalização de alta das taxas, o que enfraqueceu o dólar no exterior, fatores domésticos mantiveram a divisa norte-americana pressionada por aqui. Eleições, desmontes de posições e fluxos típicos de fim de ano explicam parte do resultado.
Dólar à vista avança 0,62% e fecha a R$ 5,4686 neste pregão
Câmbio se descola dos pares internacionais
No encerramento da sessão desta quarta-feira, o dólar à vista saltou de R$ 5,4190 na mínima para R$ 5,4686, após ter tocado a máxima de R$ 5,4900. A alta de 0,62% contrastou com a queda de 0,55% do índice DXY, que recuou aos 98,677 pontos por volta das 17h10, refletindo a fraqueza global da moeda norte-americana.
Entre 33 moedas mais líquidas monitoradas, o real teve o segundo pior desempenho, à frente apenas do rublo russo. O euro comercial também ganhou força e avançou 1,01%, alcançando R$ 6,3842.
Fatores locais: corrida eleitoral e fluxos
Para Luiz Eduardo Portella, gestor e sócio da Novus Capital, embora a decisão do Fed tenha sido bem recebida, a pressão sazonal sobre o câmbio brasileiro continua. Segundo ele, o “evento Flávio [Bolsonaro]” pode ter antecipado remessas de investidores que pretendiam aguardar 2026 para enviar recursos ao exterior.
Um grande banco estrangeiro relatou em nota que a demanda por dólar ficou evidente tanto no mercado à vista quanto no futuro, dentro e fora do país, com destaque para o alargamento do spread dos contratos NDF. A instituição atribuiu o movimento principalmente aos fluxos de fim de ano, e não a novos gatilhos políticos.
Tesourarias consultadas indicaram que o mercado se manteve relativamente organizado, mas apontaram um desmonte de posições compradas em real por parte de investidores estrangeiros, que preferiram reduzir exposição diante das incertezas eleitorais.
Visão técnica e projeções de curto prazo
Em relatório, a Wagner Investimentos ressaltou que investidores estão cautelosos quanto ao impacto da candidatura de Flávio Bolsonaro sobre as chances do ex-presidente Lula. A casa avalia que, caso o nível de R$ 5,45 seja rompido de forma consistente, a cotação pode acelerar em direção a R$ 5,60. “Acima de R$ 5,40, o momento é favorável para vendas com responsabilidade”, observou.
Dados do Banco Central reforçam cautela
Estatísticas do fluxo cambial divulgadas pelo Banco Central mostraram movimento expressivo dos exportadores. Na sexta-feira anterior, quando o dólar saltou 2,31% (de R$ 5,31 para R$ 5,43), empresas trouxeram US$ 2,846 bilhões — a segunda maior internalização diária de 2025, atrás apenas dos US$ 3,057 bilhões de 21 de fevereiro.
Imagem: Pexels
Entre 1º e 5 de dezembro, o fluxo cambial ficou positivo em US$ 4,710 bilhões, com entradas tanto pela conta financeira quanto pela conta comercial. Mesmo assim, gestores em mesas de câmbio demonstram preocupação com o período a partir de 15 de dezembro, quando tradicionalmente as companhias intensificam remessas ao exterior.
Perspectivas para a próxima semana
A combinação de incertezas políticas, operações de ajuste de carteira e fluxo corporativo tende a manter a volatilidade elevada. Operadores monitoram se a cotação conseguirá se sustentar acima de R$ 5,45 ou se uma correção se instalará, acompanhando a fraqueza global do dólar caso o ambiente interno se estabilize.
Para os analistas ouvidos, a trajetória dependerá diretamente do humor eleitoral e da intensidade das saídas relacionadas a pagamento de dividendos e fechamento de balanços até o fim de 2025.
Em resumo, embora o cenário internacional aponte para um dólar mais fraco após a decisão do Fed, fatores domésticos seguem determinantes para o comportamento da taxa de câmbio brasileira.
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O dólar encerrou o dia em alta apesar da queda global da moeda norte-americana. Continue acompanhando nossos informes e assine as atualizações para receber análises diárias sobre câmbio, juros e mercado financeiro.



