Dólar à vista fechou esta quinta-feira em nova baixa frente ao real, influenciado pela recuperação nos preços das commodities e pela fraqueza global da divisa norte-americana.
Ao término dos negócios, a moeda norte-americana recuou 0,22%, cotada a R$ 5,1940, renovando o menor valor desde 28 de maio de 2024. O euro comercial seguiu a mesma direção e caiu 0,15%, para R$ 6,2075.
Dólar à vista cai e real brilha com apoio das commodities
A volatilidade marcou a sessão. Pela manhã, o dólar já se desvalorizava diante do real e de pares ligados a matérias-primas. No início da tarde, porém, a tendência se inverteu após o mau humor dos investidores com os resultados da Microsoft, que contaminaram os ativos de risco. Mais tarde, a reaproximação das cotações das commodities devolveu força às moedas sensíveis a esses produtos, e o real voltou a ganhar terreno.
No fechamento, o real figurava como a quinta moeda de melhor desempenho entre 33 divisas líquidas, atrás do dólar canadense, dos pesos chileno e colombiano e do rublo russo, todas historicamente ligadas ao ciclo de commodities. O índice DXY, que compara o dólar a seis moedas fortes, recuava 0,18%, aos 96,271 pontos.
Cristiano Oliveira, diretor de pesquisa econômica do Banco Pine, avaliou que, apesar das oscilações diárias, o cenário de médio e longo prazo permanece favorável ao real. “Além da tendência estrutural de desvalorização do dólar norte-americano, o Brasil cresce próximo do potencial, necessita de capitais externos para investimento e mantém taxa de juros elevada, o que estimula o carry trade”, afirmou.
Oliveira destacou ainda que a decisão do Banco Central de manter a Selic em 15% e sinalizar o início do ciclo de afrouxamento monetário em março pode reforçar a atratividade dos ativos domésticos no curto prazo. “Quando o BC indica corte de juros, a economia tende a performar melhor e a Bolsa ganha apelo adicional, num contexto em que a autoridade monetária age de forma técnica e independente”, disse.
Em relatório, estrategistas do BBVA observaram que a recente valorização do real decorre principalmente da debilidade generalizada do dólar, sem a emergência de novos fatores locais. O banco mantém posição tática comprada na moeda brasileira no curto prazo, mas planeja reduzir essa exposição à medida que se aproximam as eleições, preferindo expressar visões de prazo mais longo pela curva de juros.
Imagem: Kiyoshi Ota
Operadores também citaram que a fuga momentânea de ativos de risco ocorreu após a queda expressiva das ações da Microsoft, cujo balanço trimestral foi divulgado na noite anterior. Embora não haja consenso sobre a magnitude da influência desse episódio no câmbio doméstico, parte do mercado apontou o evento como gatilho para a correção intradiária.
Perto do encerramento, a percepção geral era de que o apetite por risco se restabeleceu gradualmente, sustentado pela recuperação de petróleo, minério de ferro e outros produtos básicos. O resultado reforçou o papel do mercado de commodities como vetor de sustentação para o real em 2024.
Com o dólar à vista novamente abaixo de R$ 5,20 e o real entre os destaques globais, agentes seguem atentos à combinação de política monetária local, fluxo de capitais e comportamento das commodities para calibrar as próximas apostas no mercado de câmbio.
Para acompanhar outras análises sobre o desempenho das moedas e dos indicadores de mercado, visite a seção de Economia do Diário de Finanças.
Em resumo, o fortalecimento do real nesta sessão refletiu a recuperação das commodities e a fraqueza do dólar. Continue acompanhando nossas atualizações e saiba como esses movimentos podem impactar seus investimentos.



