Dólar despenca a R$ 5,48 no último pregão deste ano, influenciado pela formação da Ptax e pela reorganização de posições de grandes bancos e tesourarias.
Na tarde desta terça-feira (30), a moeda americana recuava 1,35% e era negociada a R$ 5,4952, muito próxima da mínima de R$ 5,4867 registrada instantes antes. É o menor patamar desde 17 de dezembro, quando o dólar encerrou a sessão a R$ 5,5222.
Dólar despenca a R$ 5,48 na formação da Ptax
A Ptax — taxa média oficial de câmbio calculada pelo Banco Central — motiva tradicionalmente ajustes de carteira no último dia útil de cada mês. Por ser a última referência de 2025, bancos e empresas recalibram posições futuras e marcam balanços, intensificando a oferta de moeda no mercado à vista.
Por volta das 12h55, o euro seguia a tendência e caía 1,59%, cotado a R$ 6,4507. Enquanto isso, o DXY, índice que mede o desempenho do dólar ante seis divisas fortes, subia 0,19%, a 98,224 pontos, indicando que o real evoluía na contramão de parte dos pares globais.
Fatores domésticos impulsionam o real
Entre 33 moedas acompanhadas pelo Valor, o real exibia a segunda melhor performance do dia, superado apenas pelo sol peruano. Analistas atribuem o movimento, além da Ptax, ao arrefecimento do fluxo de saída de remessas e dividendos que pressionou a moeda nacional na véspera e ao longo da última semana.
O economista-chefe da Frente Corretora, Fabrizio Velloni, explicou que “as tesourarias estavam mais compradas em dólar; ao final do ano, bancos aumentam o volume de vendas para realizar lucros e ajustar balanços”, o que contribuiu para a pressão de baixa.
Marcos Weigt, diretor de Tesouraria da Travelex, reforçou que “a demanda por dólar comercial se normalizou”, indicando menor pressão de saída de recursos nesta sessão.
Liquidez reduzida amplia volatilidade
Operadores destacam que o pregão de hoje apresenta liquidez reduzida, condição típica do período entre festas. Nesses cenários, ordens de maior volume tendem a produzir movimentos mais pronunciados nos preços, potencializando a volatilidade observada no câmbio.
No panorama internacional, os mercados aguardam a divulgação da ata da última reunião do Federal Reserve, marcada para as 16h (horário de Brasília). A expectativa de novas pistas sobre a trajetória dos juros nos Estados Unidos manteve índices acionários externos próximos da estabilidade, mas não impediu a valorização isolada do real.
Imagem: Dimas Ardian
Impacto nos contratos futuros
Contratos de dólar futuro para janeiro, negociados na B3, repercutiram o fluxo de venda à vista e recuavam cerca de 1,3% no mesmo horário. Segundo participantes do mercado, a taxa a ser fixada na Ptax de hoje servirá de base para liquidação desses derivativos e, por consequência, influencia estratégias de curto prazo.
Até o fim do pregão, profissionais não descartam movimentações adicionais, já que parte dos agentes pode recompor posições tão logo a Ptax seja conhecida. Contudo, o consenso provisório aponta para dólar encerrando 2025 abaixo de R$ 5,50, contraste com as máximas superiores a R$ 5,70 observadas em dezembro.
Para 2026, casas de análise monitoram o comportamento dos fluxos financeiros diante do cenário de juros ainda elevados no Brasil, possível adiamento no ciclo de cortes da Selic e incertezas externas. Esses elementos, combinados à dinâmica fiscal doméstica, poderão definir o rumo do câmbio nos primeiros meses do próximo ano.
Em síntese, a queda expressiva desta terça-feira reflete o ajuste técnico típico de fim de mês, a menor saída de capital e o baixo volume de negócios, fatores que contribuem para movimentos mais acentuados, mas nem sempre sustentáveis, na taxa de câmbio.
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O dólar encerra o ano em queda, mas a volatilidade deve seguir presente em 2026. Continue acompanhando nossas atualizações e receba alertas em tempo real sobre câmbio, juros e indicadores macroeconômicos.



