A cotação do dólar encerrou a semana a R$ 5,35, consolidando-se abaixo do patamar de R$ 5,40 e alimentando expectativas de nova valorização do real no curto prazo. Analistas atribuem o movimento principalmente ao diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos, que tende a se ampliar caso o Federal Reserve reduza a taxa americana na próxima quarta-feira, enquanto o Comitê de Política Monetária (Copom) deve manter a Selic em 15%.
Para Benito Berber, economista-chefe para Américas do banco francês Natixis, a próxima resistência técnica é de R$ 5,33 por dólar. Segundo ele, a volatilidade implícita de um e três meses continua baixa ― respectivamente 10,7% e 12% ― refletindo a apreciação gradual da moeda brasileira. “A não ser que o governo dos EUA reaja de forma contundente à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, o viés de valorização do real deve permanecer”, afirmou.
Estrangeiros desmontam posições compradas
O recuo da divisa é impulsionado pelo desmonte de posições compradas em dólar por investidores estrangeiros. Na sessão de sexta-feira, operadores relataram forte entrada de capital externo durante a formação da Ptax, em antecipação ao fixing de contratos no Mercado Monetário Internacional (IMM) da Bolsa de Chicago, previsto para a próxima semana.
Revisões de bancos internacionais
A percepção mais favorável ao real levou o J.P. Morgan a revisar a projeção para o dólar no fim do ano de R$ 5,70 para R$ 5,50. O banco abriu posição na moeda brasileira por meio de opções, mirando cotação entre R$ 5,20 e R$ 5,63, com direito de venda a R$ 5,50. Já o Morgan Stanley mantém postura neutra, citando possível impacto de eventuais sanções norte-americanas ao Brasil. O HSBC, por sua vez, segue otimista e destaca a combinação de elevado carry com baixa volatilidade como sustentação para o real.
Riscos no radar
Questões políticas continuam no horizonte. O J.P. Morgan monitora pesquisas de popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, enquanto o HSBC avalia o potencial de uma coalizão de centro-direita em torno do governador paulista Tarcísio de Freitas nas eleições de 2026. Apesar desses fatores, a expectativa predominante é de que o dólar possa testar níveis ainda mais baixos caso o ciclo de cortes nos EUA se confirme e o Banco Central brasileiro mantenha sua postura cautelosa.

Imagem: Getty images via valor.globo.com
Com o mercado atento aos próximos passos do Fed e do Copom, investidores seguem avaliando até onde a moeda norte-americana poderá cair nos próximos meses.
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Com informações de Valor Econômico



