Eleições em Portugal: segundo turno opõe Ventura e Seguro -

Eleições em Portugal: segundo turno opõe Ventura e Seguro

Eleições em Portugal avançam para o segundo turno após votação neste domingo (18), quando cerca de 11 milhões de eleitores definiram que André Ventura, do Chega, e António José Seguro, do Partido Socialista, disputarão a presidência em 8 de fevereiro.

O resultado encerra quatro décadas sem balotagem no país e confirma a polarização entre uma direita radical em ascensão e a tradicional centro-esquerda portuguesa.

Eleições em Portugal: segundo turno opõe Ventura e Seguro

Como foi o primeiro turno

Com participação elevada, a primeira etapa do pleito registrou crescimento expressivo do Chega, que saltou de 1,3% em 2019 para cerca de 23% dos votos e garantiu 58 cadeiras no Parlamento. Do outro lado, o ex-secretário-geral socialista passou à frente de outros concorrentes ao capitalizar o voto útil da esquerda e atrair eleitores moderados.

Quem é André Ventura

Ventura, 43 anos, ganhou notoriedade nacional em 2014 como comentarista esportivo ao defender o Benfica na TV. Formado em Direito, foi professor universitário, inspetor tributário e, em 2017, candidatou-se à Câmara Municipal de Loures pelo PSD, ocasião em que criticou famílias ciganas que, segundo ele, dependiam de subsídios estatais.

Em 2019 fundou o Chega. O partido abraça conservadorismo social, liberalismo econômico e forte controle migratório. Entre as propostas do candidato estão cotas anuais para entrada de estrangeiros, criminalização da residência ilegal, redução de impostos, além do aumento de pensões e salários.

Ventura nega racismo e xenofobia, mas sustenta que “Portugal precisa de uma limpeza” e resgatou, em 2021, o lema “Deus, Pátria, Família, Trabalho”, associado historicamente ao período salazarista.

Quem é António José Seguro

Seguro, 63 anos, nasceu em Penamacor e é mestre em Ciência Política pelo ISCTE-IUL. Foi deputado nacional e europeu, integrou governos liderados por António Guterres, presidiu o Partido Socialista e ocupou assento no Conselho de Estado.

Durante a crise do Euro, em 2011, atuou como líder da oposição, criticando austeridade, mas defendendo consensos. Na campanha de 2026 apresentou-se como opção de equilíbrio institucional, conquistando apoio de mulheres, jovens e eleitores com ensino superior. Pesquisas de boca de urna indicam que 38% dos indecisos de última hora migraram para sua candidatura.

Principais temas em debate

A imigração domina a agenda. Ventura propõe limites rígidos e vigilância reforçada, posição que preocupa a comunidade estrangeira, especialmente brasileiros residentes em Portugal. Para a socióloga Ana Paula Costa, da Casa do Brasil de Lisboa, um eventual governo do Chega pode criar barreiras ao acesso de imigrantes a serviços públicos.

Seguro defende manutenção das atuais políticas de integração e promete reforçar direitos sociais, posicionando-se como antípoda do adversário. Outros assuntos centrais incluem reforma tributária, combate à corrupção e políticas de segurança.

O que está em jogo em 8 de fevereiro

Além de definir quem ocupará o Palácio de Belém, o pleito estabelecerá o tom da política portuguesa nos próximos anos. Uma vitória de Ventura significaria a consolidação da direita radical como força dominante; já o triunfo de Seguro reforçaria a rota moderada do país desde a redemocratização.

Calendário até o segundo turno

• 20 a 31 de janeiro – debates televisivos entre os candidatos
• 1º de fevereiro – início da propaganda oficial nas rádios e TVs
• 7 de fevereiro – último dia de campanha
• 8 de fevereiro – votação em todo o território nacional

A Comissão Nacional de Eleições reforçou que medidas sanitárias continuarão em vigor nas seções eleitorais para garantir segurança dos votantes.

Com a contagem regressiva para 8 de fevereiro, Portugal acompanha atentamente a disputa que pode redesenhar seu cenário político, enquanto eleitores avaliam se querem um chefe de Estado com discurso confrontacional ou o retorno de um político visto como moderado.

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