Epstein tinha CPF brasileiro e buscou negócios no país -

Epstein tinha CPF brasileiro e buscou negócios no país

Epstein tinha CPF brasileiro e, segundo documentos obtidos pela BBC, tentou se aproximar de empresários locais para viabilizar investimentos no Brasil. Os registros revelam que o financista norte-americano, morto em 2019, chegou a solicitar reuniões, planejou operações no mercado de câmbio e considerou até obter nacionalidade brasileira.

As informações constam de e-mails, planilhas e anotações apreendidas pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos e analisadas pela BBC News Brasil. O material mostra que Jeffrey Epstein alimentava planos concretos de negócios no país anos antes de vir a público a série de acusações de abuso sexual de menores que culminaram em sua prisão em 2019.

Epstein tinha CPF brasileiro e buscou negócios no país

Em um dos documentos, datado de 2012, o financista classifica a possibilidade de adquirir cidadania brasileira como “ideia interessante”. A medida, segundo assessores que trocaram mensagens com ele, facilitaria a abertura de contas locais e a participação em projetos que exigiam presença jurídica no Brasil. Para viabilizar esses planos, Epstein solicitou a emissão de um Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) junto à Receita Federal, registro que foi concedido posteriormente.

Contato com empresários e convite a Eike Batista

Os arquivos apontam que Epstein buscou reuniões com nomes de destaque do empresariado nacional. Entre eles, aparece o convite ao então bilionário Eike Batista, à época presidente do grupo EBX. Um e-mail enviado por um assistente do financista sugere um encontro no Rio de Janeiro para discutir “oportunidades de infraestrutura e energia”. Não há comprovação de que a reunião tenha de fato ocorrido.

Outro trecho da correspondência mostra que a equipe de Epstein pretendia intermediar conversas com representantes dos setores financeiro e imobiliário de São Paulo. As agendas listavam ainda um possível almoço com executivos de bancos de médio porte para apresentação de “projetos de captação no exterior”.

Aposta na valorização do real antes da Copa

Planilhas anexadas ao material indicam que, às vésperas da Copa do Mundo de 2014, Epstein cogitava uma posição cambial otimista na moeda brasileira. O documento estimava ganhos se o real se apreciasse em relação ao dólar no período de forte entrada de divisas no país. Não há indícios nos autos sobre a execução efetiva dessa estratégia, mas as notas reforçam o interesse do financista no mercado local de câmbio.

Visitas ao Brasil e investigações em curso

Os registros de imigração confirmam ao menos uma passagem de Epstein por São Paulo em 2013, viagem descrita nos e-mails como “itinerário de prospecção”. Entre os compromissos, constavam encontros em escritórios de advocacia especializados em fusões e aquisições e uma visita a um projeto imobiliário na zona oeste da capital paulista.

Após a divulgação dos documentos pela BBC, o Ministério Público Federal abriu investigação para apurar a atuação do financista no país. A Procuradoria busca identificar possíveis crimes financeiros e eventuais vítimas de tráfico internacional de pessoas. Em nota, o MPF ressaltou que “a participação de vítimas é fundamental” para o avanço do caso.

Nacionalidade brasileira e benefícios fiscais

Os e-mails analisados também discutem vantagens de uma eventual nacionalidade brasileira para Epstein. Entre os pontos levantados estavam benefícios fiscais para investidores estrangeiros residentes no país e facilidades na assinatura de contratos públicos. Um consultor contratato pelo financista chegou a listar o procedimento necessário para naturalização, mas não há comprovação de que o pedido tenha sido formalizado.

Repercussão internacional

Especialistas em direito internacional consultados pela BBC observam que a movimentação de Epstein no Brasil se assemelha a estratégias adotadas pelo financista em outras jurisdições, nas quais mantinha empresas de fachada para gerir recursos e imóveis. A revelação de que ele possuía CPF e negociava parcerias locais amplia a amplitude geográfica das investigações já em curso nos Estados Unidos e no Reino Unido.

Procurada, a defesa de Eike Batista informou que o empresário “não mantém qualquer relação com Jeffrey Epstein” e que “não houve reunião ou tratativas de negócios”. A Receita Federal, por sua vez, não comenta casos específicos, mas confirmou que é possível estrangeiros solicitarem CPF para realizar investimentos no país.

Até o momento, não há prazo para a conclusão do inquérito conduzido pelo MPF. A Procuradoria reforçou o canal de denúncias e pediu que eventuais vítimas ou testemunhas entrem em contato para colaborar com as investigações.

Esse conjunto de documentos reforça a rede de contatos globais construída por Jeffrey Epstein e demonstra que o Brasil figurava em seus planos estratégicos de expansão financeira, ainda que boa parte dessas iniciativas não tenha saído do papel.

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Meta descrição: Epstein tinha CPF brasileiro e tentou fechar negócios com grandes empresários no país, revelam documentos analisados pela BBC.

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