Escombros em Gaza desafiam resgate de corpos de reféns

Escombros em Gaza viraram o principal obstáculo à localização dos corpos de reféns israelenses prometidos no acordo de cessar-fogo firmado entre Israel e Hamas. Sem maquinário pesado e com cerca de 50 milhões de toneladas de destroços espalhados pelo território, equipes palestinas e representantes do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) enfrentam um desafio logístico descrito como “enorme”.

Israel condiciona a reabertura da passagem de Rafah, na fronteira com o Egito, à entrega integral dos restos mortais. Na terça-feira (15), o Exército israelense confirmou que quatro corpos foram transferidos ao CICV, restando aproximadamente 20 reféns mortos no enclave.

Escombros em Gaza desafiam resgate de corpos de reféns

A operação ganhou urgência depois que Tel Aviv impôs novas restrições à entrada de ajuda humanitária, alegando que o Hamas não cumpriu sua parte. Segundo autoridades ouvidas pelo The New York Times, o pacto prevê uma força-tarefa com Estados Unidos e outros mediadores para compartilhar informações e acelerar as buscas, mas até agora pouco avançou.

50 milhões de toneladas de destroços

Levantamento da ONU calcula que a destruição acumulada equivale a 14 vezes o total de escombros deixados por todos os conflitos armados no planeta desde 2008. O peso estimado, de 50 milhões de toneladas, representa cerca de 137 quilos de entulho por metro quadrado em Gaza.

Antes da guerra, o enclave era um dos territórios mais densamente povoados do mundo. Dois anos de bombardeios transformaram aproximadamente 70% das 160 mil construções em pilhas de concreto retorcido, segundo estudo da Universidade Hebraica citado pelo jornal “Haaretz”.

Limitações de equipamentos e mão de obra

Sem guindastes, escavadeiras ou veículos de grande porte, voluntários palestinos removem blocos de cimento manualmente—muitas vezes desnutridos, exaustos e sob risco de novos bombardeios. O especialista forense Sami Jundi, ex-perito do Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos, explica que os reféns teriam sido mantidos em túneis sob edifícios agora destruídos: “Se a localização estava documentada, o entulho é só um obstáculo. Se não estava, cada pá de terra pode terminar em vão”.

O CICV informou que providenciou sacos mortuários, veículos refrigerados e reforço de pessoal para garantir o tratamento digno dos mortos, mas admitiu que as buscas podem levar dias, semanas ou “que alguns corpos jamais sejam encontrados”.

Trégua sob pressão

O acordo estipula que, a cada corpo entregue, Israel liberta 15 prisioneiros palestinos mortos. Até agora, 45 cadáveres foram enviados ao Hospital Nasser, em Khan Younis, “sem identificação, apenas numerados”, relatou o funcionário Mohammed Zaqot ao NYT. Famílias israelenses e palestinas classificaram a devolução parcial como “violação” do pacto.

Em carta ao enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, o Fórum de Reféns e Famílias Desaparecidas pediu “todo esforço possível” para que os 25 reféns ainda em cativeiro não sejam sacrificados. Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump afirmou que “o trabalho não está concluído” enquanto os restos mortais não forem repatriados.

Custos e prazo para limpar Gaza

A ONU calcula que a remoção total do entulho levaria 21 anos e exigiria US$ 1,2 bilhão—mais de R$ 6 bilhões. Enquanto isso, cada dia de atraso ameaça a manutenção do cessar-fogo e aprofunda a crise humanitária vivida por 2,2 milhões de palestinos.

Para saber como conflitos internacionais repercutem na economia global, acesse nossa seção de Economia.

Em resumo, a combinação de 50 milhões de toneladas de escombros, falta de equipamentos e tensões políticas coloca em risco a recuperação dos corpos dos reféns e a própria continuidade da trégua. Acompanhe esta cobertura para novos desdobramentos e compartilhe a matéria para manter outros informados.

Scroll to Top