Escritor Sérgio Rodrigues alerta para risco de retrocesso na escrita com avanço da inteligência artificial

Brasília, 16 set. 2025 – O escritor e jornalista Sérgio Rodrigues afirmou que o uso crescente de ferramentas de inteligência artificial (IA) pode levar a um “retrocesso civilizatório e intelectual” ao reduzir o hábito de escrever. A declaração foi dada em entrevista sobre o lançamento de seu novo livro, Escrever é humano: como dar vida à sua escrita em tempo de robôs, que chega às livrarias na próxima quinta-feira (18) na capital federal.

Rodrigues defende que a escrita é uma atividade exclusivamente humana e diz que as tecnologias generativas, por mais sofisticadas, apenas imitam a linguagem sem reproduzir a subjetividade por trás de um texto artístico. “A IA produz uma imitação impressionante, mas falta a experiência subjetiva que dá sentido à criação”, afirmou.

Ameaça além do mercado de trabalho

Segundo o autor, o perigo não se limita à substituição de tarefas profissionais. Ele teme que pessoas passem a terceirizar até comunicações rotineiras, como listas de compras e e-mails, perdendo gradualmente a capacidade de formular frases por conta própria. “Quando terceirizamos a escrita do dia a dia, esquecemos como escrever, assim como já não memorizamos números de telefone”, exemplificou.

Impacto na educação

Para o romancista, a escola precisa criar mecanismos rígidos para evitar o uso indiscriminado de IA em trabalhos escolares. “Se não houver controle, alunos deixarão de desenvolver a habilidade de escrever”, alertou. Ele cita o caso da Finlândia, que retirou computadores das salas de aula após anos de uso, como exemplo de reação possível.

Família e políticas públicas

Rodrigues considera fundamental que famílias incentivem a leitura em casa e que gestores públicos avancem na regulamentação das novas tecnologias. Ele avalia que grandes empresas de tecnologia atuam para dificultar qualquer forma de regulação.

O autor, conhecido pelo blog Todoprosa (2006–2016), explica que parte das reflexões presentes no novo livro surgiu naquele espaço digital, mas ganhou urgência com o rápido aprimoramento das plataformas de IA.

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Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br

No encerramento da entrevista, Rodrigues resumiu a mensagem da obra: “A criatividade nasce da subjetividade humana; sem ela, corremos o risco de empobrecer nossa forma de pensar e sentir”.

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Com informações de Agência Brasil

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