Esports no Brasil dependem de incentivo estatal e fortalecimento das categorias de base para alcançar um novo patamar competitivo até 2026, segundo executivos do setor ouvidos pelo IGN Brasil.
Chandy Teixeira, chefe-executivo de Jogos e Esportes Eletrônicos da Prefeitura do Rio de Janeiro, afirma que nenhuma modalidade avança sem participação governamental. Para ele, o Estado funciona como “catapulta”, não “bola de ferro”, ressaltando que a arena gamer pública inaugurada na capital fluminense já aproximou talentos de organizações profissionais.
Esports no Brasil precisam de apoio público para crescer até 2026
Teixeira sustenta que desenvolvedoras focam apenas no “topo da pirâmide” de títulos como Counter-Strike 2, League of Legends e Free Fire, mas que esse ápice só existe quando há um “colchão de talentos” formado por milhares de jogadores em torneios locais. O executivo lembra que a Arábia Saudita, com previsão de investir US$ 30 bilhões até 2030, desmistificou o envolvimento estatal em campeonatos eletrônicos.
O gestor também critica antigas iniciativas, como a confederação CBDEL, que, segundo ele, ocuparam espaço em Brasília sem legitimidade do cenário. Teixeira defende que o segmento precisa desenvolver lideranças políticas para que leis de incentivo reconheçam oficialmente o atleta de esportes eletrônicos.
Cynthya Rodrigues, chefe de desenvolvimento de negócios da agência GMD, considera que o mercado vive “fase de maturidade” e precisa de instituições que apoiem jogadores desde a base. Ela aponta que competições carecem de estratégias comerciais agressivas para atrair marcas não endêmicas e substituir o patrocínio de casas de apostas por contratos de maior solidez.
Rodrigues lembra que o retorno do CBLOL ao antigo formato, depois de um ano como LTA, demonstra estabilidade institucional e reforça o potencial de engajamento das comunidades brasileiras. Já Teixeira vê os torneios como “espetáculos de entretenimento” que não podem perder de vista o alto rendimento esportivo, questionando se a audiência busca performance máxima ou conteúdo leve com participação de influenciadores.
Para Rodrigues, o estrelato individual perdeu força, especialmente em League of Legends, onde a visibilidade se distribui mais entre as equipes. Ela destaca a importância de torneios universitários, citando a atlética de esports da ESPM, e observa que organizações investem no coletivo para garantir treinamento, remuneração e suporte adequados aos profissionais.
Imagem: Divulgação
Os dois especialistas concordam que reconhecimento estatal ou corporativo trará colaboradores dispostos a construir carreiras duradouras. Ainda assim, Rodrigues recorda que a pandemia gerou expectativas irrealistas em empresas sem experiência no setor, resultando em entregas abaixo do prometido. Já Teixeira lamenta que jogadores sem longevidade migrem para apostas, reforçando a necessidade de estrutura formal.
Embora 2025 encerre com “pequenos e péssimos exemplos” de debates no Congresso, Teixeira e Rodrigues veem cenário otimista para 2026 se o foco permanecer em políticas públicas, base esportiva e profissionalização comercial.
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O futuro dos esports no Brasil depende de união entre Estado, organizações e marcas. Se a profissionalização de base avançar, o país pode chegar a 2026 com atletas mais preparados, campeonatos sólidos e novas fontes de investimento. Continue acompanhando nossas publicações e saiba como essas mudanças podem impactar toda a indústria.


