Europa prepara envio de tropas à Groenlândia, confirma UE

Europa prepara envio de tropas à Groenlândia, confirma UE. A União Europeia finalizou, nesta quinta-feira (15 de janeiro de 2026), um plano para deslocar contingentes militares à Groenlândia, território autônomo da Dinamarca, após sucessivas declarações do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que voltou a afirmar interesse em “conquistar” a ilha.

O movimento europeu ocorre no mesmo dia em que um avião da Força Aérea Dinamarquesa pousou na capital Nuuk, sinalizando o início da operação logística. Fontes diplomáticas ouvidas pela BBC News destacam que a decisão tem caráter “defensivo” e visa “proteger a soberania dinamarquesa” diante da pressão norte-americana.

Europa prepara envio de tropas à Groenlândia, confirma UE

O ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen, declarou após reuniões na Casa Branca que existe uma “discordância fundamental” com Washington sobre o futuro da ilha. Segundo Rasmussen, a proposta de Trump — ventilada publicamente pela primeira vez em 2019 e reiterada nesta semana — “não encontra respaldo no direito internacional nem na vontade do povo groenlandês”.

Contexto das tensões

Trump, que busca a nomeação republicana para a eleição de novembro, voltou a defender a aquisição da Groenlândia em entrevista na noite de quarta-feira. Para o ex-presidente, a ilha “tem valor estratégico inestimável” e “deveria fazer parte dos Estados Unidos por razões de segurança nacional e recursos naturais”.

A fala ecoou rapidamente em Bruxelas. Ainda na madrugada, ministros de Defesa dos 27 membros da UE realizaram videoconferência emergencial. O resultado foi a aprovação de uma força multinacional integrada por efetivos da Dinamarca, França, Alemanha e Itália. Os primeiros 250 soldados devem chegar a Nuuk nos próximos dez dias, ampliando gradualmente a presença para até 1.200 militares até o fim de março.

Reação interna na Dinamarca e na Groenlândia

Manifestações ocorreram em Copenhague. Na tarde de quarta-feira, cerca de 3 mil pessoas se concentraram em frente à embaixada dos EUA empunhando faixas que diziam “Groenlândia não está à venda”. Em Nuuk, líderes locais divulgaram nota reafirmando a autonomia do território, mas agradeceram “o apoio de parceiros europeus” para preservar a integridade territorial.

Detalhes da operação militar

Autoridades da OTAN indicam que o destacamento europeu terá funções de vigilância aérea e patrulha costeira, utilizando drones de longo alcance e navios de guerra leves. Embora a Groenlândia não seja membro da União Europeia, o governo dinamarquês tem prerrogativa para solicitar assistência militar do bloco.

Em Washington, o Departamento de Estado evitou comentar. Já Trump, em publicação na rede social Truth, reiterou: “Os EUA têm o direito de defender seus interesses no Ártico. A Groenlândia deve ser americana”. A postura elevou a temperatura diplomática e levou a União Europeia a divulgar nota lembrando que “qualquer alteração de soberania exige consentimento do território envolvido e do país ao qual ele pertence”.

Próximos passos diplomáticos

O Conselho Europeu convocou reunião extraordinária para 20 de janeiro, em Bruxelas, para discutir eventuais sanções caso Washington avance em iniciativas unilaterais. Analistas observam que o episódio pode inaugurar novo capítulo de tensão transatlântica, com impacto direto em rotas comerciais e na cooperação em defesa.

A Dinamarca informou ainda que enviará equipe de negociadores à ONU para solicitar mediação formal, caso as declarações de Trump evoluam para ações concretas. “Esperamos resolver o impasse pela via diplomática, mas estamos preparados para proteger nosso território”, ressaltou Rasmussen.

A situação permanece volátil. Embora sem registro de incidentes armados, a chegada de tropas europeias à Groenlândia marca a primeira intervenção militar significativa do bloco no Ártico. Observadores destacam que o interesse pela região aumentou devido ao derretimento das calotas, que expõe recursos minerais valiosos e abre novas rotas marítimas.

Com a tensão crescente, especialistas recomendam atenção às próximas negociações em Bruxelas e ao discurso agendado de Trump para o sábado, em Des Moines, onde ele deverá detalhar sua estratégia para o Ártico.

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