Êxodo de fundos de ações tira US$ 1 tri da gestão ativa -

Êxodo de fundos de ações tira US$ 1 tri da gestão ativa

Êxodo de fundos de ações marcou 2025 com a retirada estimada de US$ 1 trilhão dos veículos de gestão ativa, segundo cálculos da Bloomberg Intelligence a partir de dados da ICI. O movimento reforçou o descontentamento dos investidores diante de carteiras que, ao se distanciarem do índice de referência, não conseguiram compensar o risco adicional.

Em sentido oposto, os ETFs de gestão passiva receberam mais de US$ 600 bilhões no mesmo período, ampliando a migração de capitais iniciada há mais de uma década. Foi o 11º ano consecutivo de saídas líquidas dos fundos ativos de ações.

Êxodo de fundos de ações tira US$ 1 tri da gestão ativa

A fuga de recursos coincidiu com mais um ano de forte concentração de retornos no mercado norte-americano. As “Sete Magníficas” — grupo formado por Apple, Microsoft, Amazon, Alphabet, Meta, Nvidia e Tesla — responderam por parcela desproporcional do ganho no S&P 500, que renovou recordes sucessivos ao longo de 2025. Para muitos gestores, deixar essas gigantes fora do portfólio significou acumular desempenho inferior.

Concentração pressiona gestores

Levantamento da BNY Investments mostra que, em diversos pregões do primeiro semestre, menos de 20% das ações acompanhavam a alta do índice amplo. Isso limitou as oportunidades de diversificação e elevou o chamado “custo de ser diferente”. Nos EUA, 73% dos fundos mútuos de ações ficaram abaixo de seus benchmarks, o quarto pior resultado desde 2007, de acordo com o pesquisador Athanasios Psarofagis.

Dave Mazza, diretor-executivo da Roundhill Investments, resume o dilema: “Se você não ponderar o índice pelas Sete Magníficas, provavelmente corre o risco de ficar atrás”.

Casos de exceção

Alguns gestores desafiaram a maré, assumindo riscos atípicos. O Dimensional International Small Cap Value, com US$ 14 bilhões, evitou grandes empresas americanas e apostou em cerca de 1.800 papéis de pequeno porte fora dos EUA. O resultado foi retorno superior a 50% no ano, superando S&P 500 e Nasdaq.

Margie Patel, à frente do Allspring Diversified Capital Builder, colheu cerca de 20% de valorização ao concentrar posições em fabricantes de chips como Micron Technology e AMD. “Os vencedores continuarão vencendo”, afirmou à Bloomberg TV.

Aposta temática em tecnologia e recursos naturais

Do lado temático, o ETF Wedbush IVES, focado em inteligência artificial, alcançou quase US$ 1 bilhão em ativos, enquanto o Global Resources Fund da VanEck rendeu perto de 40%, sustentado por Shell, Exxon Mobil e Barrick Mining. Segundo o gestor Shawn Reynolds, a presença de geólogos e engenheiros na equipe permite capturar tendências de longo prazo em energia e metais básicos.

Gestão quantitativa

Na Goldman Sachs Asset Management, Osman Ali utiliza um modelo que avalia cerca de 15 mil ações diariamente. A metodologia ajudou a gerar ganhos de quase 40% em diferentes estratégias internacionais, provando — segundo ele — que “os mercados sempre oferecem oportunidades para quem analisa dados de forma imparcial”.

Reflexo nas métricas dos índices

A versão equiponderada do S&P 500, que dá peso idêntico a cada empresa, ficou atrás do índice tradicional ao longo de 2025. Para gestores ativos, a escolha se restringiu a subponderar as maiores ações e correr o risco de underperformance ou replicá-las na proporção do índice, tornando-se quase indistinguíveis de um fundo passivo — mas com taxa mais alta.

Lições de 2025

No encerramento do ano, a principal conclusão para o investidor médio foi que a dispersão extrema de retornos torna a seleção de ações mais custosa. Ainda há espaço para gestão ativa, mas a tolerância à volatilidade e a paciência com estratégias fora do consenso diminuíram.

O saldo de US$ 1 trilhão em saídas indica que muitos preferiram a simplicidade das carteiras indexadas, reforçando a ascensão dos ETFs de baixo custo e deixando em aberto como a indústria de fundos ativos irá reagir em 2026.

Para seguir acompanhando análises sobre mercado financeiro, visite a seção de Economia do Diário de Finanças.

Em resumo, o êxodo de fundos de ações em 2025 expôs o desafio de competir com um mercado guiado por poucas gigantes de tecnologia. Continue informado e avalie suas estratégias antes da próxima movimentação de capital.

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